Sabe-se que CULTURA é tudo o que define um povo, uma pessoa, um grupo.....mesmo uma ação de alguém ....um alimento, o jeito de preparar.....uma forma de vestir, ...enfim ....algo que identifique.....
Logo, cultura não é "apenas" o que se convencionou como sujeito CULTO, o conhecimento que se faz ao estudar um tema, ao estar em uma academia (universidade, não academia de exercícios - aqui me refiro especificamente à "instituição" criada por PLATÃO)....
Cultura que temos visto, presenciado, sentido, observado,...., no social......tem sido o que se convencionou chamar nos anos 60, do século passado (não, eu ainda não tinha nascido!).......de CONTRA-CULTURA!!!
Impressionante que em nosso tempo pós-moderno, contemporâneo, líquido......, ou, no meu jargão.....VOLÁTIL (tudo se desmancha no ar!)..........vivamos exatamente o termo, culturalmente falando, de CONTRA tudo o que seja cultura.....
Desde Duchamp e seu urinol.......Andy Warhol e sua "cultura" POP......o que se vê é um "sem-sentido"......nada de non-sense.........porque aí é o grau zero.......SENTIDO PLENO.....sentido em potência........mas um SEM SENTIDO ALGUM..........
Usar/plagiar uma tela consagrada para adulterá-la e ganhar "algum em cima"......às custas do já estabelecido.............fingindo ser IN é o que mais vige nos dias de hoje.....
Benjamin (Walter) diria que estão a usar a aura da obra original para algo que aura NÃO TEM.....
Na dança então.........esta arte cada vez mais perdida.....mais esquecida.......
Que Isadora Duncan tenha se afastado, lá no começo do século passado, do balé clássico.........para buscar o plexo solar......usar mais o tronco e não só membros, ou quase só..........e criado o balé moderno.......lindo..........buscando a natureza..................
outros depois dela...................buscam aprimorar a busca desta "gênia" da dança................
mas...........agora............o que se vê hem???????????
há um desagregar.......com esta de dança-teatro..........performances.........happenings............e outros...............loucuras............a dança se perdeu..........vem perdendo aura de dança.;............
não há mais passos que seguem ritmos..........MÚSICA............
A MÚSICA NÃO EXISTE........ou é como se não fizesse parte............
então o que é?????????
sei lá..............e olhe que muitos "bailarinos" até fingem gostar da coisa...........mas se sabe que eles gostam cada vez menos..............
VERA MARTA REOLON
MTb 16.069
A que se presta este blog??????????...............a estabelecer notícias, comentar fatos do cotidiano no e do mundo........elaborar alguma crônica de autoria dos blogueiros responsáveis (que, é óbvio, são maiores, responsáveis, éticos, e nada crianças - embora possuir a leveza das crianças "educadas" não seja nada ruim!!!!!).......realizar críticas, como pensamos não existir nas mídias que temos e vemos..........com, cremos, sabedoria e precisão.........com intuito de buscar melhorias em nossas relações com os seres vivos........e com/para o mundo..........se possível!!!!!!................
Críticas por e pela ARTE ( ESTÉTICA COM ÉTICA - como deve ser!!!! - desde a PAIDÉIA - a BILDUNG - .......ATÉ O SEMPRE!!!!!!!)
e-mail: veramartagui@hotmail.com
"UMA FOTO É UM SEGREDO SOBRE UM SEGREDO.
QUANTO MAIS ELA DIZ, MENOS VOCÊ SABE."
D.A.
"A VIDA É UM SONHO.
TORNE-O REAL".
M.T.
"EM TEMPOS DE M E N T I R A UNIVERSAL,
DIZER A V E R D A D E É UM ATO REVOLUCIONÁRIO"
George Orwel
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
quarta-feira, 8 de julho de 2015
BILDUNG- METAFÍSICA DO ANEL
Véra Marta Reolon
JUN/2015
JUN/2015
O cenário é uma ópera de Richard Wagner: DAS RHEINGOLD – em tradução livre, de alguém que sabe pouco de alemão, Sobre o Ouro do Reno. A ópera é transpassada pela música, absolutamente campal, forte, poderosa. Interessante usar a expressão forte... mas volto a isso depois!
A cena se inicia com as Nereidas, em número de três cantando seu cuidado e a determinação de seu pai, de que elas protegessem o ouro nas profundezas do oceano. Aparece um nibelungo que deseja desposar uma delas. Canta o amor a uma, que o renega. Depois à segunda, que repete o gesto da irmã. Por fim, a terceira também o rejeita. Ele, então, desprezado pelas três, rouba-lhes o ouro e o leva para seu mundo. Como maldição, as Nereidas rogam-lhe a maldição: quem fica com o ouro, é porque rejeitou ao amor e aos prazeres do amor.
Outra cena. O ambiente agora é montanhoso, hipoteticamente um “céu” rochoso, onde “vivem” os deuses, comandados por Wotam. Wotam está casado com Fricka, irmã de Freya. Wotam, por algum temor, que não fica claro, apenas que pode ter sido induzido por Mime, manda construir, cercar o “palácio”, as terras, com um fortificado. Este fortificado é realizado pelos gigantes, que cobram pelo serviço. A cobrança era sabida e combinada com Wotam, no contrato.
Como os gigantes tivessem concluído a obra, querem o pagamento. Wotam sabe disso e é questionado pela esposa do absurdo da construção, considerando-a desnecessária....afinal são deuses, imortais. Mas Wotam não tem o valor do pagamento. Os gigantes então, exigem que Wotam lhes entregue Freya, paixão de um dos dois gigantes.
A importância de Freya no reino imortal é que ela cuida das plantações, da árvore e dos frutos que dão a imortalidade e a juventude aos deuses. Entregando-a aos gigantes, não só perdem a irmã de Fricka, mas também a possibilidade da juventude e imortalidade. Que deuses seriam, então?
Como não há a possibilidade de quitar a dívida de outra forma, entregam Freya.
Se vão os gigantes com Freya e prometem devolvê-la apenas quando do pagamento da fortaleza.
Mime, como um demônio, a viver com os deuses, sabedor da história das Nereidas, convence Wotam a buscar o ouro com o Nibelungo, em princípio para devolvê-lo às Nereidas.
Wotam chega às profundezas do oceano e, em uma jogada de esperteza, consegue tomar o ouro do Nibelungo e levá-lo. Este, antes de que levem o ouro, amaldiçoa o que tiver o ouro e o anel de ouro, que morrerá por ele.
Paga, assim, o que deve aos gigantes, recupera Freya.
Um dos gigantes, dizendo ao irmão que, como aquele só queria mesmo Freya e nada mais, o mata para ficar com o ouro só para si.
Os deuses se encaminham ao cercado, agora com Freya.
Mime questiona Wotam, sobre a não devolução do mesmo aos oceanos e às Nereidas, logo o não restabelecimento do equilíbrio, o que Wotam nem dá atenção.
Ao final da peça, Wagner nos mostrar um Mime a arder, com roupas de um vermelho vivo, afogueado.
È interessante observar que tudo isso, a ópera, sua concepção se passa no século XIX, em plena vigência do que a Alemanha chamou de Bildung, uma busca pelo revisitar a Paidéia grega, com sua efervescência cultural, com a busca por um crescimento intelectual, cultural, estético, do mundo grego da antiguidade.
A Paidéia grega prezava a busca de um crescimento que extrapolava o intelectual, que extrapolava a arte. Era um mundo de crescimento exterior que jamais se desvincularia de um grande crescimento interior. O homem aqui era o que cultuava esse crescimento, o saber, a sabedoria, o fazer estético, jamais desvinculado da ética subjacente.
Note-se que a ética para o grego era aquilo que podemos explicar, além da moral, do costume, que o latim tentou traduzir e adaptar como sendo de mesma etnia. Ética era o lugar das casas, onde como um altar, com objetos sobre ele, que simbolizavam os antepassados, os familiares, em uma situação de crise que necessitava de uma decisão, giravam até encontrarem uma resposta que venerasse e honrasse a todos que aí estavam e aos que viriam além deles.
Logo, todo fazer, deveria estar impregnado de saber, de sabedoria, de verdade, de arte (fazer arte – agir esteticamente), mas SEMPRE como um ATO ÉTICO por excelência.
O homem grego utilizava deste preceito para lançar-se no que Foucault mais tarde retoma, nomeando de CUIDADO DE SI!.
O HOMEM GREGO, ENTÃO PARA SAIR DAS CAVERNAS e viver na cidade, deveria buscar esse cuidado de si, esse crescimento, essa preparação para “governar” as cidades. è aqui, centra-se o que, resumidamente os gregos nomeavam como PAIDÉIA!
Nietzsche, no século XIX, entre outros, na Alemanha pré-guerras, busca revisitar a idéia da Paidéia, para o tempo alemão, com o que chamaram de BILDUNGè um restabelecimento do agir, do fazer, do estar no mundo, da Paidéia grega para um novo tempo, para uma nova efervescência cultural, ético-estética, agora como centro o mundo alemão e seus pensadores, artistas...
Richard Wagner é um dos grandes expoentes deste tempo e busca a Bildung com galhardia na música. Nas óperas indiscutivelmente.
Nesta em particular, busco aqui uma interpretação peculiar, com vistas ao fechamento do semestre em Estética da Música.
O que vejo, em princípio, nesta transposição artística?
Wotam não precisava de uma fortificação para seus domínios. Os deuses são imortais, são deuses. Por quê o faz? O faz induzido por um manipulador? Mas, por quê se deixa seduzir por coisas das quais não precisa? Por quê não ouve sua mulher, em princípio, como ele mesmo diz, por quem “perdeu um olho” (sic) para tê-la (literalmente, pois está com um olho cego!). Ainda, faz um contrato com os gigantes, que sabe não poder pagar e corre o risco de perder a imortalidade, a juventude, própria dos deuses, logo perder assim, suas essências, como deuses que são.
O Nibelungo entrou no jogo do poder do ouro, mas sabia, e o fez depois de tentar o amor e seus prazeres com as Nereidas, logo sabia que negar o amor era uma conta que pagava para ter o ouro e o poder advindo dele. O equilíbrio perdido no ar, terra, água estava quebrado, com sua atitude.
Mime, em princípio queria restabelecer o equilíbrio. Há interesse nele de que isso se dê? Wagner, com o “queimar” de Mime, no final da peça, nos dirá que não!
Os gigantes, em princípio não queriam o dinheiro, o ouro, queriam Freya, um por amor, o outro, quiçá para obter a juventude e a imortalidade.
Chega-se, ao término da peça com a idéia que o PODER é absolutamente VAZIO de quaisquer significados, pois ninguém está satisfeito, tem prazer com o resultado de seus atos, da condução dos acontecimentos.
Lévi-Strauss compara o objeto mitológico a uma partitura de orquestra que se deve ler horizontal e verticalmente. “Música e mitologia se apresentam, aos olhos de Lévi-Strauss, como imagens inversas uma da outra, desde a invenção da fuga, cuja composição se reencontra na narrativa mítica. A música tomou o lugar do mito: ‘quando morre o mito, a música torna-se mítica da mesma forma que as obras de arte’” (DOSSE, 2007, p.341).
Será, e me pergunto sempre, que tais elocubrações não são as precursoras dos acontecimentos a que chegamos no Holocausto judeu, nas guerras mundiais, no entre guerras, no horror inclusive questionado por judeus, como Hanna Arendt em seu belíssimo Eichmann em Jerusalém?. E, quiçá, na fragmentação, inclusive acadêmica que vivemos hoje, em todos os campos do saber, que evidencia o quanto nos distanciamos das idéias da Paidéia, indo justamente na contramão de tudo aquilo que lemos e estudamos daquele período e de seus ensinamentos?.
Vemos que a VONTADE de Schopenhauer, revisitação que faço do DESEJO de Spinoza, além da própria interpretação psicanalítica dada por Lacan, do DESEJO que nos constitui, está longe da Vontade de Poder, no Zaratustra de Nietzsche (será que a “loucura” sifilítica de Nietzsche já tinha afetado seu pensamento? – não o posso dizer – só intuir!).
Vontade, Poder, Desejo é a própria Paidéia em ação, é todo o agir estético, logo, absoluta e completamente ÉTICO POR EXCELÊNCIA!. Qualquer coisa, qualquer agir, diferente deste não chega no ato Techné grego, que também seria estético, mas diferente da Arché, mais idealizado, mais em busca do BEM, do BOM, do IDEAL, portanto.
Em contraposição a tudo isso, ocorria a DER BLAUE REITER, a busca por uma ARTE SONORA, o ESPIRITUAL NA ARTE. Fazem parte deste grupo, na mesma Alemanha, Wassily Kandinsky, Franz Marc, Paul Klee, Arnold Schoenberg, entre outros.
Queriam estes, buscar uma arte espiritual, uma arte abrangente, que trouxesse a alma no agir, no fazer, nos resultados.
“... onde as formas são tornadas vazias, sem fundamento, ali também não existe arte” (AUGUST MACKE, in O Cavaleiro Azul, 2013, p.66)
Para Kandinsky a música estava na alma transposta no agir, na tela, no fazer, na sincronia das cores, no resultado, na concepção. Ele vai nos dizer e nos mostrar isso em suas telas, na nominação das mesmas como Composição, Improvisação...
Schoenberg em seu texto, na revista criada por eles, com textos criados, revisitados, revisados por eles, inicia, assim, seu texto, A RELAÇÃO COM O TEXTO:
“Há relativamente poucas pessoas capazes de compreender de modo puramente musical o que a música tem a dizer” (SCHOENBERG, 2013, p.69).
A música está para além das notas, está para além da composição, dos arranjos, por mais belos que possam ser. A música está para além de uma voz, harmoniosa ou não. A música está no agir musical. A música está no ato estético por excelência. A música, logo, está no agir ÉTICO por excelência. Está no mais distante do PODER pelo poder, no Poder que, diria Lacan, atem-se a PARANÓIA, no vazio do poder. A música está no DESEJO que é absolutamente pessoal, intransferível, no DESEJO que nos constitui como seres ÚNICOS que somos. A música está no agir Estético, desde a Paidéia, a VERDADEIRA MÚSICA ESTÁ NA ÉTICA SUBJACENTE A TODO NOSSO AGIR E SER!.......... só assim!!!!!
Referências Bibliográficas:
Referências Bibliográficas:
ARENDT, Hanna. Eichmann em Jerusalém: Um relato sobre a banalidade do mal. SP: Cia das Letras, 1999.
DOSSE, François. História do Estruturalismo. Bauru: Edusc, 2007.
KANDINSKY, Wassily; MARC, Franz (Org.). Almanaque O Cavaleiro Verde. SP:EDUSP, 2013
KANDINSKY, Wassily; MARC, Franz (Org.). Almanaque O Cavaleiro Verde. SP:EDUSP, 2013
PLATÃO. A República. SP: Nova Cultural, 2000.
WAGNER, Richard. Das Rheingold. DVD, 1990/2008, Deutche Grammophon, gmbh, Hamburg
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