A que se presta este blog??????????...............a estabelecer notícias, comentar fatos do cotidiano no e do mundo........elaborar alguma crônica de autoria dos blogueiros responsáveis (que, é óbvio, são maiores, responsáveis, éticos, e nada crianças - embora possuir a leveza das crianças "educadas" não seja nada ruim!!!!!).......realizar críticas, como pensamos não existir nas mídias que temos e vemos..........com, cremos, sabedoria e precisão.........com intuito de buscar melhorias em nossas relações com os seres vivos........e com/para o mundo..........se possível!!!!!!................


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"EM TEMPOS DE M E N T I R A UNIVERSAL,

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terça-feira, 1 de março de 2016

A Festa e o Legado do Imigrante

 Guilherme Reolon de Oliveira- MTb 15.241
Jornalista, sociólogo e filósofo, mestre em Psicologia Social


            Radicado em Porto Alegre e acompanhando os acontecimentos da cidade ora por jornal, ora pelo programa Rede de Olhares, da UCSTV, transmitido nacionalmente pelo canal Futura, vibro quando algo de nossa identidade é evocado, porque assim lembrado e valorizado. Ao mesmo tempo, consterno-me quando leio alguma decisão abrupta – quando não arbitrária – acerca de nossos “totens”: ao derrubar bens imóveis como dominós, ao rir do “talian” (agora língua oficial), por exemplo. Até mesmo diante da notícia veiculada nos primeiros dias de 2016: a Cia Municipal de Dança sem direção artística. Como pesquisador de filosofia da dança e crítico, e sabendo do pioneirismo da cidade na área, não pude deixar de indignar-me com o fato. 
            Mas as surpresas maiores, ainda, são quando decisões de poucos indivíduos afetam, com tamanho peso inversamente proporcional, nossa Festa. Como integrante de um grupo que grafou as biografias das rainhas das edições de 1933 a 2010, e que por problemas operacionais não puderam chegar à publicação, pude saber mais de nossa história: a memória é fundamental para o hoje não desmoronar e o futuro poder ser trilhado. E algumas perguntas vão surgindo... Como a distribuição de uvas deixa de ser um dos cernes do corso alegórico? Simplesmente porque carretas e caminhões não podem circular na área do desfile? Isso não foi pensado antes – ou o foi propositalmente? Mas e a valorização do fruto que dá nome à Festa, e do agricultor que a produz? O corso, transferido sem uma consulta à população, se resumirá ao cênico, quem sabe a um Carnaval à la Caxias? E quanto ao espaço para a degustação da uva, motivo maior da Festa: até quando será relegado a último plano, num espaço sem cadeiras e mesas, com distribuição extremamente restrita do fruto?
            Embora a festa seja destinada à divulgação, ao turista, de nossas riquezas, nosso patrimônio material e imaterial, nossa cultura, nosso saber e fazer, antes ela é um evento comemorativo, festivo mesmo, e portanto, do caxiense. A festa é da comunidade e para a comunidade.
            E, assim sendo, não podemos esquecer o legado maior do imigrante que começou tudo: ser protagonista de sua história. Se a festa faz parte de nossa identidade (não o igual, mas o singular, o que dá diferença a um ser, uma comunidade,..), este legado deve ser lembrado em cada ato, em cada frase pronunciada. Muitos parecem esquecê-lo. Parece que a população foi distanciada, até mesmo isolada, desse papel de protagonista, quando deixou, por exemplo, de eleger as soberanas de sua festa, por meio do voto popular. E agora, mais ainda, tendo de pagar, e caro (em tempos de recessão e desemprego, 30 reais é muito), quando os membros do desfile são voluntários, para assistir ao rememorar de sua história, o corso.
            Cabe a todo e qualquer caxiense resgatar o imigrante que há dentro de si: fazer história, não esquecê-la, e comemorá-la. Como proceder? #eusouFestadaUva?????