Bem....escrevemos o artigo abaixo pelos idos de 2007...ou algo assim....para ser publicado em um LIVRO SOBRE ONCOLOGIA.....
não é que tanto não publicaram (ou vai-se saber!!!!) o tal livro....sem nos dar qualquer informação....mas também.....SEM QUALQUER ÉTICA.......USARAM NOSSO ARTIGO EM SALA DE AULA..............SEM NOS PEDIR QUALQUER AUTORIZAÇÃO.............SEQUER NOS INFORMAR DO QUE FAZIAM..........
na ACADEMIA (a de PLATÃO!!!!- coitado, se remexe no túmulo!!!)......
e ficamos sabendo por alunos.......disso aí!!!!
professores?????.....realmente!!!!!!!!!
Mais interessante é descobrir que tais (fofocas!!) estão em Brasília.....e nós........
Mais interessante é descobrir que tais (fofocas!!) estão em Brasília.....e nós........
Psico-oncologia: a psicologia como
prevenção e tratamento do câncer
Vera Marta Reolon
Guilherme Reolon
de Oliveira
Nada lhe posso
dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de
imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser
a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu
próprio mundo, e isso é tudo.
Hermann
Hesse
Psico-oncologia
é a ciência que visa utilizar o saber psicológico em questões relativas ao
câncer, sejam elas de ordem teórica ou prática, preventiva ou de tratamento.
Desta forma, é um aporte à Oncologia, uma vez que, parte deste estudo,
contribui essencialmente à clínica do câncer.
A psico-oncologia surge como solução
à separação mente-corpo, originada com René Descartes, à medida que pensa e
analisa o sujeito holisticamente, ou seja, como um todo, de forma que a saúde é
resultado de um equilíbrio. Assim, a psico-oncologia é derivada dos estudos da
psicossomática, pois entende que fenômenos físicos possam ser conseqüências de
traumas emocionais e vice-versa.
A
inserção do psicólogo na equipe multidisciplinar, que trata do paciente com
câncer, passa a ser oficial a partir da Portaria 2.535, do Ministério da Saúde,
de 14 de outubro de 1998. Essa portaria determina a presença obrigatória de
psicólogos nos serviços de suporte, como um dos critérios para cadastro de
clínicas de oncologia no Serviço Único de Saúde.
O psicólogo, contudo, começou a
estar presente nessas equipes na década de 70. Na época, atuava como
intermediador, uma vez que tinha o objetivo de auxiliar o médico a informar
pacientes e familiares quanto ao diagnóstico do câncer, uma dificuldade ainda
constante na rotina dos profissionais da saúde. Entendida, algumas vezes, como
uma especialidade da Oncologia, a Psico-oncologia estuda as dimensões
psicológicas presentes no diagnóstico do câncer. Segundo Holland (1990), ela
procura analisar
1) o impacto do câncer no funcionamento
emocional do paciente, sua família e profissionais de saúde envolvidos em seu
tratamento; 2) o papel das variáveis psicológicas e comportamentais na
incidência e na sobrevivência ao câncer (p.11)
Gimenes (1995), levando em conta a
realidade brasileira, formulou uma definição da Psico-oncologia, quando da
fundação da Sociedade Brasileira de Psico-oncologia. Segundo ele, a
Psico-oncologia representa a área de interface entre a Psicologia e a Oncologia
e utiliza conhecimentos educacionais, profissionais e metodológicos
provenientes da Psicologia da Saúde para aplicá-los:
1º) Na assistência ao paciente
oncológico, sua família e profissionais de Saúde envolvidos com a prevenção, o
tratamento, a reabilitação e a fase terminal da doença;
2º) Na pesquisa e no estudo de
variáveis psicológicas e sociais relevantes para a compreensão da incidência,
da recuperação e do tempo de sobrevida após o diagnóstico do câncer;
3º) Na organização de serviços
oncológicos que visem ao atendimento integral do paciente, enfatizando de modo
especial a formação e o aprimoramento dos profissionais da Saúde envolvidos nas
diferentes etapas do tratamento (p.46)
Como
suporte à oncologia, o psico-oncologista atua no tratamento do paciente com
câncer, com vistas à melhora de sua qualidade de vida, ao prolongamento desta,
ao aumento de sua auto-estima. O psicólogo atuante na equipe oncológica tem por
principal finalidade ajudar o paciente em sua auto-compreensão, no entendimento
de sua patologia e num prolongamento de sua vida saudável.
O psico-oncologista pretende também
ser o profissional que escutará os anseios dos familiares do paciente, já que
por receio ou compaixão, não expõem a este suas dúvidas, suas particularidades
e seu sofrimento em toda a situação vivenciada. É nos grupos de apoio e nos
atendimentos individuais que, muitas vezes, os familiares se sentem mais bem
acolhidos e, com isso, propiciam ao paciente um melhor andamento do tratamento
e uma melhor qualidade de vida.
Nas equipes de oncologia, o
psicólogo desempenha um importante papel quando serve de apoio também aos
profissionais que ali trabalham. Médicos, enfermeiros, nutricionistas e
terapeutas ocupacionais que convivem com o paciente com câncer estão em
constante relação com a morte – embora esta seja uma realidade que vem mudando,
à medida que a área de Ciências da Saúde avança em seus estudos. A morte, não
se pode negar, é um tabu e um fator desconfortável, desconhecido, na vida
humana e, por ser um “buraco negro” na psiquê humana, mobiliza sentimentos
múltiplos em todos: pacientes, familiares e também, naturalmente, os técnicos envolvidos no processo.
Psicologia e Câncer
Toda palavra tem
sempre um mais além, sustenta muitas funções, envolve muitos sentidos. Atrás do
que diz um discurso, há o que ele quer dizer e, atrás do que quer dizer, há
ainda um outro querer dizer, e nada será nunca esgotado.
Jacques Lacan
Estudos recentes demonstram que o
câncer e as enfermidades oncológicas, caracterizadas pela anormalidade das
células e sua divisão excessiva, têm causa multifatorial. Assim, predisposição
genética, exposição ambiental de risco, contágio por vírus, uso de cigarro,
ingestão excessiva de álcool e outras substâncias psico-ativas ou alimentícias
cancerígenas ( os tais estabilizantes, edulcolorantes e tais!- isso aí já se estudava nos anos 70, em aulas de química!), dentre outros, são fatores que contribuem para o desenvolvimento
do câncer. Atualizando para os dias de hoje (2018) pensamos inclusive no uso de Lítio e Silício, ligados especialmente ao uso de celulares e computadores. Cuidado, isso já era fonte de pesquisa nos idos de 1950!!!!!!
Pesquisadores também vêm
demonstrando que determinados estados emocionais, traumas e situações
psiquicamente não resolvidas causam modificações nas taxas hormonais e no
sistema imunológico. Cientistas acreditam que a depressão e o estresse são
fatores amplamente relacionados ao câncer, pois contribuem para a formação de
tumores. Pensa-se hoje que muitos pacientes como que “desejam” um câncer,
“fazem“ esta “ferida” no corpo, para dar conta de uma dor maior que carregam em
suas almas.
Desta forma, a presença do psicólogo
é indispensável na clínica oncológica. Grupos de apoio e psicoterapia com
pacientes e familiares são importantes antes, durante e após o diagnóstico de
câncer. O psicólogo propicia que o paciente e os que o rodeiam possam lidar
melhor com a situação-problema, compreendam o funcionamento da doença e atuem
de forma que o tratamento se desenvolva satisfatoriamente.
Sabe-se, hoje, que cerca de 60% das
formas de câncer são passíveis de prevenção, o que torna importante uma
política social de saúde, no sentido de orientar a população na busca de uma
vida mais saudável, de realização pessoal, profissional, familiar, de ambientes
sociais agradáveis, de uma leveza maior na condução da vida. A atuação do
psicólogo, em suas diferentes modalidades – grupos de apoio, psicoterapia
individual, aconselhamento, reabilitação – tem se mostrado relevante e
essencial na clínica oncológica. A transmissão do diagnóstico, a aceitação do
tratamento, a obtenção de uma melhor qualidade de vida são aspectos que incidem
sobre a psicologia. A aceitação da morte, por parte dos pacientes terminais e
de seus familiares, é outro fator que requer a figura do psicólogo.
Pesquisas da área mostram também que
a ajuda psicológica às famílias de pacientes com câncer, sofredoras, com suas
particularidades, suas angústias e seus medos, tem sido considerada essencial,
uma vez que as auxiliam no despreparo frente à doença. O apoio familiar é de
extrema importância para o paciente.
Os profissionais das Ciências da
Saúde, por sua vez, quando exercem determinada função na clínica oncológica,
responsáveis por tratamentos invasivos, que infringem grande sofrimento e nem
sempre levam à cura e/ou à recuperação, também necessitam de apoio psicológico.
Esses profissionais lidam, constantemente com situações de morte e apresentam,
na maioria das vezes, um alto nível de estresse.
Psico-oncologia e a atualidade
A psico-oncologia ainda é encarada,
por certos profissionais, como uma especialidade sem fins, inútil. Os
seguidores do modelo biomédico não a aceitam, pois entendem que o câncer e suas
origens não têm relação com o emocional e o psíquico do paciente. A
psico-oncologia, nestes casos, é contestada através de pesquisas sobre mutações
genéticas e alterações moleculares. Quando psicopatologias estão presentes no
paciente oncológico, os seguidores desse modelo as tratam com psico-fármacos,
desvalorizando o tratamento psicoterápico e psicológico, que poderia auxiliar,
e muito, nessas enfermidades.
Carvalho (2002) questiona e põe em
xeque o modelo biomédico que desconsidera a Psiquiatria Psicodinâmica e a
Psicologia como ciências importantes na clínica oncológica:
por que uma determinada célula, em
determinado momento, sofre uma mutação que a leva a uma proliferação inadequada
e descontrolada? Por que em situações de exposição a elementos químicos
altamente cancerígenos algumas pessoas desenvolvem um câncer e outras não? Por
que nem todos os fumantes desenvolvem um câncer, sendo o cigarro
comprovadamente cancerígeno? Através exatamente de que processo ocorre a
interferência do sistema imunológico no câncer? O que explica o efeito placebo?
E as remissões espontâneas, conhecidas por todos os médicos? Qual o papel da fé
nas curas inexplicáveis?
O autor acrescenta, ainda, que estas
e outras perguntas só serão respondidas através de uma compreensão ampla do ser
humano. Isso porque o diagnóstico de câncer tem inúmeras implicações. Ele traz
a idéia de morte, ainda que, atualmente, a cura tem acontecido mais. A perda de
cabelo, quando da quimio e da radioterapia, a figuração abatida, os efeitos
colaterais, os estigmas, a depressão, a ansiedade, o medo, a revolta, a
insegurança, as alterações de humor, a perda da autonomia, entre outros
aspectos, são importantes fatores que conduzem ao sofrimento, desencadeiam
processos emocionais, com problemáticas psíquicas e que, logo, exigem a
presença do psicólogo na clínica oncológica.
Carvalho aponta também as diferenças
de abordagens e linhas teóricas dos psicólogos, uma vez que psicanalistas,
psicoterapeutas cognitivos, existencialistas, humanistas, comportamentais,
transpessoais, dentre outros, todos, podem atuar e atuam na Psico-oncologia.
Isso, contudo, leva a questões:
deve-se focalizar o câncer e suas
conseqüências, em uma terapia breve focal, ou buscar nas origens da
personalidade do paciente, explicações para o próprio desenvolvimento do
câncer? (CARVALHO, 2002).
O autor questiona, ainda, a
possibilidade de haver uma determinada personalidade típica do paciente
oncológico. Vamos mais além e perguntamos se
há uma estrutura clínica particular deste tipo de paciente. Será que
existem fatores emocionais infantis que incidem sobre esta patologia? Ou
determinados traumas que levam ao seu surgimento? Seu desenvolvimento seria
desencadeado por outras psicopatologias, muitas vezes encobertas por sintomas
físicos? Ainda, a abordagem do profissional de psicologia, sua linha teórica,
importa menos do que efetivamente escutar o paciente e atendê-lo, ouvi-lo até
onde ele quiser falar, escutá-lo com o amor necessário a levá-lo a conhecer-se,
respeitar-se e, por conseqüência, viver melhor consigo mesmo e com os que o
rodeiam.
Ainda não se tem pesquisas e
conhecimentos que co-relacionem processos psicológicos com o câncer. Grande
dificuldade de auto-afirmação, raiva não expressa, ansiedade e sentimentos
reprimidos, profunda desesperança e infâncias marcadas por negligência,
abandono e isolamento, com fortes sentimentos de perdas são elementos apontados
por diferentes autores (Le Shan, 1997; MacDougall, 1991; Marty, 1993; Temoshok,
1992; e outros) para o aparecimento e o desenvolvimento do câncer.
A motivação emocional tem sido o
fator mais citado e lembrado como essencial pelos pacientes sobreviventes do
câncer para a sua cura. Pouco conhecimento se tem, contudo, do papel da psique
na clínica oncológica. Este e outros desafios estimulam a criação e o
desenvolvimento de pesquisas em Psico-oncologia.
Siegel, em seu artigo “O que os
médicos devem saber” (1997), descreve a importância de se perguntar ao paciente
o que ele está sentindo. E o mais importante: ouvir a sua resposta, escutá-la realmente. Não podemos
desvincular o físico, o psíquico, o emocional e o espiritual, uma vez que o ser
humano é um só, a integração das partes. Segundo Siegel, as doenças que ameaçam
a vida são necessariamente transformadoras. Devemos, assim, compreender o
paciente como um todo, apoiando-o nas transformações que surgirem com o câncer,
bem como ouvi-lo, aprender com ele. É essencial que lembremos que estamos
cuidando e tratando de um ser humano e não apenas da enfermidade que ele, neste
momento, carrega e suporta, com sofrimento. Eis a principal contribuição da
Psico-oncologia para a clínica do câncer.
Referências bibliográficas
CARVALHO,
M.M. Psico-oncologia: história, características e desafios. Psicologia USP, 13 (1), 151-166, 2002.
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GUIMARÃES,
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2 ed. São Paulo: BBS, 2006.
HOLLAND, J. Historical overview. In: HOLLAND, J.;
ROWLAND, J. (Eds.). Handbook of
psychooncology. New York: Oxford Press, 1990.
LE SHAN, L. You
can fight for your life: emotional factors in the causation of cancer. New
York: Evans, 1997.
MARTY,
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Paulo: Artes Médicas, 1993.
MCDOUGALL,
J. Teatros do corpo: o psicossoma em
psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
SIEGEL,
B. O que os médicos precisam saber. Advances,
13 (1), 1997.
TEMOSHOK, L. The
type C connection: the behavior links to câncer and your health. Nwe York:
Ramdom House, 1992.
UICC
– União Internacional Contra o Câncer. Manual
de Oncologia Clínica. 8 ed. São Paulo: Fundação Oncocentro de São Paulo,
2006.
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