A que se presta este blog??????????...............a estabelecer notícias, comentar fatos do cotidiano no e do mundo........elaborar alguma crônica de autoria dos blogueiros responsáveis (que, é óbvio, são maiores, responsáveis, éticos, e nada crianças - embora possuir a leveza das crianças "educadas" não seja nada ruim!!!!!).......realizar críticas, como pensamos não existir nas mídias que temos e vemos..........com, cremos, sabedoria e precisão.........com intuito de buscar melhorias em nossas relações com os seres vivos........e com/para o mundo..........se possível!!!!!!................


Críticas por e pela ARTE ( ESTÉTICA COM ÉTICA - como deve ser!!!! - desde a PAIDÉIA - a BILDUNG - .......ATÉ O SEMPRE!!!!!!!)



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"UMA FOTO É UM SEGREDO SOBRE UM SEGREDO.

QUANTO MAIS ELA DIZ, MENOS VOCÊ SABE."
D.A.



"A VIDA É UM SONHO.

TORNE-O REAL".
M.T.
"EM TEMPOS DE M E N T I R A UNIVERSAL,

DIZER A V E R D A D E É UM ATO REVOLUCIONÁRIO"

George Orwel

sexta-feira, 2 de junho de 2017

HÁ ÉTICA NA GUERRA?

                                              
                                                                                             Vera Marta Reolon-1
                                                                  


Somos os filhos da Revolução,
 Somos burgueses sem religião,
 Somos o futuro da Nação,
 Geração Coca-Cola

Geração Coca-Cola, Legião Urbana

- - -

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida.

Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo...

Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma...
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!

Canção de Outuno, Mário Quintana



Cem Anos da Revolução Russa.
O que dizer sobre isso?
Como explicar a força de um povo que, mesmo com cinquenta graus Celsius negativos se põe a guerrear, matar-se uns aos outros, por ideais de uma liberdade (?) do jugo czarista (será que era tão ruim assim?).
Enfim se põem a guerrear em condições sub-humanas por questões políticas (a maioria das guerras usam como mote o político, mas por o que guerreiam mesmo é o econômico, por “jogos” de poder!).

Desde Alexander Nevsky, os russos mostram-se fortes, capazes de sobreviver às baixíssimas temperaturas, capazes de lançar mão de estratégias de conhecimento de seu território para defender o que pensam, sua gente.

Antes da Revolução de 1917, a Rússia já havia conhecido a união do povo com os intelectuais em uma “revolução”, em 1905. Tal revolução abalou os domínios feudais, elevando camponeses, com o intuito de reduzir a exploração e melhorar condições de vida.
                       
A ruptura que no oeste europeu se determinara diversos anos antes, na Rússia manifestou-se com igual dramaticidade apenas depois da Revolução de 1905. Nessa revolução, as forças populares intervieram com extrema decisão, imprimindo-lhe um nítido caráter socialista. Foi um vasto movimento social que sublevou operários e camponeses, abalando o regime feudal em suas fundações. O poder czarista, todavia, resistiu ao ataque e dele saiu vitorioso. (DE MICHELI, 2004, p.232)

Provavelmente, então, a Revolução de 17 já se iniciara muito antes e, mantendo-se a espreita estoura em 17 para não mais retornar. Para que tenham certeza, exterminam a família do czar, a família imperial e tomam seus castelos.

A Revolução é um marco e fonte de perguntas até hoje, pois como explicar a força deste povo que vive e guerreia nestas condições já citadas, une diferentes nações em uma grande força, a URSS, com poder férreo, extingue suas diferentes línguas, assumindo uma língua comum, o russo, uma moeda,..., a verdadeira globalização, muito antes de qualquer possibilidade ocidental pensar nisso.  Não à toa é de lá, da Rússia que surgem os grandes estudiosos do pensamento e da linguagem, entre eles Jackbson, Baktin, Vygotsky, Luria, e muitos outros. 

Para buscarmos entender a Revolução, lançamos mão da arte, sempre a arte, a estética, a nos mostrar os avanços (ou involuções) que damos em nossa luta de sobrevivência (por vezes subserviência – inclusive aos “artistas”, em suas, por vezes, loucuras, delírios alucinantes que só fazem involuir a humanidade). A estética tem o dom de nos enlevar a universos não trilhados, na beleza de uma evolução que nos conduz ao futuro em passos seguros, pois nos fazem refletir, questionar, pensar em novas formas de retratar o real, neste recorte que a arte nos proporciona. Se a estética vive momentos de destruição da beleza, destruição do pensamento, dos atos que nos fazem humanos, destruição de ideais de grandeza interna (não a paranóia da busca do poder exacerbado), ela nos faz involuir, destruir o construído, morrer progresso, ideais, Vida.

Mas então, para entendermos a Revolução de 1917, buscamos na obra de Boris Pasternak, Doctor Zhivago, em uma produção de David Lean e Carlo Ponti, da MGM. Boris que é um russo falando da Rússia, produzido por um americano e um italiano (certamente o mundo se questiona o que e como aconteceu a revolução). Transformaram em filme como Dr. Jivago.

O contraponto se dá com um americano, John Reed, com sua obra Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, estrelado, dirigido e produzido por Warren Betty, para a Paramount. As duas obras da literatura para o campo das imagens, e não simples imagens, mas para o cinema, com todas as suas possibilidades de manipulação de som, imagem, luz, música, figurinos, cenários, a nos transportar para o vivido na época, sem o sofrimento atroz dos que lá habitaram e agiram.

Interessante falar em Ação, já que, para Hanna Arendt, uma judia alemã, novamente os alemães, nos lembra que a condição humana por excelência é a Ação, o trabalho. Por quê será que nesses nossos tempos só pensamos no ócio, no acumularmos recursos para a vida do ócio, se o que nos torna humanos é o trabalho?.

A história em Dr. Jivago é um romance, com pano de fundo ao processo revolucionário. Abre com o General Petrov Yevgraf (bolchevique), irmão de Yuri (Zhivago) que procura a filha de Yuri, entre os muitos camponeses e operários que voltam das trincheiras soviéticas para Moscou e São Petersburgo em busca de melhores condições, ou simplesmente voltar a suas terras. Petrov é o narrador da história. Tem informações de que Tonya (2), filha de Yuri e Lara (provavelmente) está entre os camponeses. Ele a chama, a questiona, ela não lembra de seu passado. Petrov então inicia sua argüição e apresentação da vida de Yuri Zhivago.  Inicia com a morte da mãe de Yuri, seu enterro e a permanência de Yuri para criação com os Maximiovich, Alexander e Anna e sua filha Tonya que, assim, cresce junto a Yuri. Tonya vai estudar na Europa, enquanto Yuri permanece na Rússia estudando medicina. De crianças Yuri e Tonya a cena os projeta a um futuro, onde já adultos, Tonya retorna de Paris e Yuri está atuando na área da medicina, não sem escrever poemas que, enviados a Tonya, fazem sucesso nos meios parisienses.
Lara, Larissa Antipova, outra personagem é filha de uma costureira da aristocracia que mantém uma relação com um homem sem escrúpulos Victor Kamarovsky. Lara está com 17 anos e possui uma beleza ímpar, é observada por todos, inclusive por Kamarovsky. Kamarovsky era sócio do pai de Yuri e, realizando o testamento, prejudica Yuri na partilha e herança de seu pai. Kamarovsky, assim como os Maximiovich (Yuri também) freqüentam a corte imperial. A mãe de Lara deseja que a filha ponha em prática os conhecimentos de etiqueta e línguas e estudos adquiridos e freqüente a corte. Para tanto, encaminha Lara a acompanhar Kamarovsky por aquele meio.
Lara é amiga de Pasha Antipov, um jovem idealista que, politicamente engajado, distribui panfletos nas ruas e sofre com a repressão das forças czaristas que tentam controlar os levantes populares.
Em uma ocasião quando a mãe de Lara está adoentada, esta pede que Lara acompanhe Kamarovsky a um restaurante. Victor se surpreende com a educação e o conhecimento de Lara, comem, dançam. Lara enlevada pelo clima criado, deixa-se seduzir pelo homem experiente e sucumbe. A situação se mantém até que Lara, provavelmente grávida, é descoberta pela mãe em suas “mentirinhas” para encontrar-se com Victor. Isso faz com que a mãe tente o suicídio, o que traz Yuri a acompanhar seu orientador em  medicina à casa de Lara, tome conhecimento da situação e os personagens se encontrem, se conheçam. Yuri estava em casa, em uma recepção a Tonya, de volta de Paris, reunidos ao orientador, quando este é chamado por Victor (que pede sigilo da situação).
 Victor busca “resolver” o  imbróglio forçando Lara a um casamento com ninguém menos que Pasha. Ele considera Lara uma promíscua que não vive sem ele, suas riquezas, proteção e sexo. Pasha é levado a crer em uma Lara virgem, pura e precisando da proteção de um casamento.
O processo revolucionário está em marcha, os operários e camponeses tomam as ruas, a guarda czarista busca detê-los, atacando-os com armas, cavalos e condições extremamente distintas do universo rural e pobre de recursos dos revolucionários. Pasha é um líder, está à frente dos grupos, comanda o grupo. É machucado e vê as tropas czaristas atacarem crianças, mulheres, todos que estão em marcha, porém não se abala. Yuri, por sua vez observa de sua casa as ruas e o processo de luta armada. Sofre com o horror presenciado e busca ir à rua atender os feridos com seus conhecimentos médicos. A guarda imperial o destitui e o manda entrar em casa. Ele resiste, mas sucumbe ao pedido de Maximiovich que teme pela família e, especialmente, por Tonya que chega da Europa.

  Petrov é um outro tipo de revolucionário, em suas próprias palavras, ele é convocado pelo partido socialista soviético a alistar-se, com o propósito de preparar, conduzir a perda na guerra (1ª Guerra Mundial), se os russo perdessem a guerra, o poder do czar seria questionado pelo povo, isso conduziria à Revolução interna. Só assim a Revolução se faria como uma necessidade.

A população ia às ruas solicitando Solidariedade e Liberdade, mas o que precisava era de alimentos. “Gente feliz não é voluntária” (Petrov). “Até Lenin subestimou a angústia do front de 900 milhas e nossa capacidade de sofrer” (idem). Quando começaram a voltar para casa se dá o começo da revolução. O czar foi preso, Lênin está em Moscou. A guerra civil começa. A revolução se dá em meio ainda à guerra, aliada a tudo, invasões de residências, falta de alimentos, casa, o frio excessivo e o tifo. Invasão de propriedades privadas, assim transformadas em comunidades.  O exército branco contra o exército vermelho liderado por Strelinikov (Pasha renomeado). Na guerra civil entre brancos e vermelhos, que durou 2 anos, o czar e toda sua família  são mortos, com o objetivo de mostrar a todos “que não há volta” (Petrov).  Victor, neste novo arranjo se torna Ministro da Justiça.

Yuri está casado com Tonya, vivem todo o processo revolucionário, sua casa é invadida e seu espaço dentro dela é cada vez menor. Seus bens são saqueados, falta-lhes tudo, desde alimentos, até madeira para queimar e preparar os alimentos e mesmo aquecer a casa no rigor do inverno russo. Petrov vê Yuri roubando madeira para queimar em casa, o segue e vê as condições em que estão vivendo. Apresenta-se como irmão de Yuri e indica que devem sair dali antes de as condições tornarem-se insuportáveis. Yuri se muda com Tonya, Sasha (seu filho pequeno) e Alex (Anna já está morta) para uma casa no interior. São transportados por trens superlotados, em precaríssimas condições de alimentação e higiene. Observam e são observados por todos os demais. Olham as condições das invasões às propriedades, a queima de bens dos que não se submetiam a um ou outro lado. A morte sempre presente. Chegam à casa no interior, ela está fechada por ordens. Não podem adentrar. Estabelecem-se em uma casa auxiliar, depósito, de condições inferiores. Plantam alimentos para o consumo e deslocam-se eventualmente a uma pequena cidade, vila, perto dali. Yuri é descoberto pelo exército e convocado a atender doentes. Lara o auxilia como enfermeira. Yuri volta  e mantém-se  com Tonya e seu pai (mais Sasha). Vai a vila e reencontra Lara.Ali concretamente inicia-se o romance. Lara está razoavelmente protegida, já que é casada com Strenilikov (e é observada). Yuri vem e vai a esta vila para busca de alimentos. Num dos retornos é convocado pelo exército vermelho para atender os doentes. Não sem que ironizem sobre sua condição de “amante” da mulher de Strelinikov. Yuri permanece no atendimento aos doentes, até que em dado momento decide desertar e volta para perto de Lara.  Victor reaparece e apresenta-ser como Ministro de Justiça, buscando auxiliá-los a fugir dali. Lembra a condição de Yuri de desertor, e Lara e Kathya (filha de Lara – provavelmente com Victor – grávida quando de seu casamento com Pasha). Yuri e Lara decidem mudar-se para a casa de campo dos Maximiovich (Tonya, Sasha e Alexander já saíram dali). Ali vivem até que Victor volta e convence Yuri de que o melhor para Lara e Kathya é que elas viajem com ele, sob sua proteção. Yuri não vai e não mais retorna na história.
A cena retorna a Petrov e a sua conversa com Tonya (2). Esta ainda duvida ser filha de Lara e Yuri, mas parece-se muito com eles. Isso é sinalizado por Petrov. Petrov lhe entrega um caderno de poemas de Yuri (já um poeta famoso entre os revolucionários – antes era proscrito) e observa que ela toca balalaika, sem jamais ter aprendido (a mãe de Yuri tocava balalaika e deixou o instrumento para Yuri de herança).

O que fica?
Apesar do romance e da beleza das imagens, mesmo da neve, dos casarões, dos casacos, ..., o horror das situações, os jogos de poder, os interesses pessoais acima dos ideais, a tentativa de não morrer, de não sucumbir aos rigores do inverno, da falta de alimentos (presente em todas as guerras, inclusive como forma de guerrear e controlar a vida dos oponentes) , os interesses de atravessadores interessados em manter a guerra para obter recursos e poder (Victor). O idealismo transformado em força controlada pelos atravessadores com o intuito de destruir qualquer possibilidade de novos levantes contra o poder instituído, na forma que se mantenha um jogo de controle sobre recursos e pessoas.

A educação, os processos sociais, a família, a religião, as formas de socialização – preconizadas como garantias de uma sociedade mais justa – transformam-se em formas de controle do povo. São destruídas com o intuito de que o poder central não seja questionado e seja derrubado. Ou seja, os ideais são derrubados em função da necessidade de poder, campo inicialmente questionado para derrubar o czarismo.

Outro filme REDS, baseado na obra de John Reed, Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, inicia  com Louise Turllinger, jornalista casada com um dentista liberal. Ela deixa o marido e vai a Nova York para entrevistar John Reed.

“Jack Reed queria armar confusão para os capitalistas e também queria despertar nas massas trabalhadoras a necessidade de agir com uniformidade e eficácia” (Louise Bryan, torna-se Louise Reed, em 1916).

Por quê os EUA queriam a 1ª Guerra Mundial?
Por lucro. J.P.Morgan Bank apoiava a Inglaterra e a França (a Alemanha queria uma parte da economia mundial), emprestou 10 bilhões de dólares. Se a Alemanha ganhasse, o J.P.Morgan não recuperaria o dinheiro e a economia fracassaria no mundo. Logo, os aliados precisavam ganhar a guerra.
Reed escrevia para a revista As Massas e vai a Seatle para levantar dinheiro para a revista. A edição da revista se dava em sua casa.
Sobre a Guerra: 65 milhões entram na guerra. 10 milhões morrem. 10 milhões ficam órfãos. 20 milhões ficam mutilados, alijados ou feridos. Catástrofe na Europa. Holocausto na Europa.
Reed está engajado no Partido Socialista americano. Ele diz:

“Meu nome é Jack Reed e esta não é minha guerra e não quero ter nada a ver com ela”.

 O Partido Socialista se opôs à entrada dos EUA na Guerra e pensavam em ações contra a Guerra.  Logo, se observarmos os dois filmes vemos que o Partido Socialista americano ia contra as idéias e conluios que os socialistas russos realizavam, pois estes (os russos) mobilizavam-se para que a guerra surtisse os efeitos de perda e posterior Revolução.
Reed chega à Rússia no governo Kerensky (homem-pensamento), Trotsky (homem-ação), (isso é afirmado no filme, porém sempre tive a noção clara que fosse o inverso, ou seja, Trotsky era o intelectual da Revolução, e Lênin, o homem das ações). A Rússia vive três governos provisórios em seis meses. A Revolução se dá na primavera de 1917.
O Palácio de Inverno do Czar é a sede do governo de Kerensky. Há fila para pães, para botas, para cartão (para pegar pães e botas). Entre a fila de cartões e as filas propriamente ditas (de pães e botas) o intervalo é de seis meses.
Reed escreve ao entrevistar Lênin:

“Lênin é um líder popular estranho, meramente por seu intelecto insosso, sem senso de humor e intransigente, parece precisar da forte personalidade de Trotsky, ou de sua habilidade oratória, sem dúvida o arquiteto é Lênin”.

Situação difícil para um país conduzindo uma guerra (EUA), que um aliado seu faça uma revolução e o governo seja mudado.
Para Jack o socialismo era uma religião. Seu grupo sai do Partido Socialista (Chicago) por divergências e fundam o Partido Comunista Operário da América. O partido envia Reed para a Rússia para oficializá-lo como Partido Oficial, representante do socialismo na América. Os russos não só não oficializam como pedem que os grupos se unifiquem. Paralelo a isso forçam Reed a ficar na Rússia no Escritório de Propaganda. Reed quer voltar, não tem notícias de Louise, nem dos companheiros, mas o forçam a ficar. Louise está nos EUA e mantém um romance com Eugene O’Neil. Reed tenta entrar nos EUA pela Finlândia e lá é preso. Louise vai à embaixada para que intercedam por ele. Eles negam. Jack é solto, trocado por professores finlandeses presos na Rússia.  Lênin diz que “o trocaria por 50 professores”.
Jack volta à Rússia, lá ele e comunistas americanos começam a se desiludir com o partido e seus atos. O poder está centralizado e não representa as massas. Não há mais autonomia local. O Estado Central detém todo o poder. O poder está nas mãos de poucos, estão destruindo as esperanças do comunismo na Rússia. Todos os jornais foram fechados. Quatro milhões de pessoas morreram em 1919 por fome e tifo. Repressão de direitos humanos e liberdade.

“Se separar um homem do que ele mais quer, o que faz é tirar-lhe o que ele tem de único. E se tira o que ele tem de único, lhe tira a dissidência , mata a revolução!”(Reed)


Revolução é Dissidência (o homem torna-se assim um zumbi do nada!), digo eu!

Reed morreu em outubro de 1920. Era um Instigador.

À provocação de o que aconteceria se Reed permanecesse nos EUA, logo não morreria (talvez) dos sintomas exacerbados pelo frio e pelas condições decorrentes dele na Rússia, digo, com certa convicção que teria apenas evitado sua morte prematura e vivido um pouco mais de tempo, escrito sobre o socialismo e talvez sobre seu uso funesto para obter o poder, sem idealismos e enfim com a morte deste idealismo. Talvez fosse mais feliz, quiçá!.

Zhivago mostra-nos mais o povo e a guerra em si. Reds nos mostra mais os processos políticos, os jogos de poder, isentando o povo de participação nos processos políticos, sendo manipulado para obter os resultados angariados apenas por um grupo menor.

Buscando fazer um contraponto estético a um texto quiçá excessivamente político-econômico pretendo fazer um recorte ao processo de guerra e apresentar um exemplo de vida, apesar da guerra. A de Wassily Kandinsky, o mentor e maior nome do abstracionismo mundial, um russo de nascimento e que viveu nesta época.
Kandinsky nasceu em 22 de novembro de 1866, em Moscou. Filho de pai siberiano, comerciante de chá e mãe moscovita. Família bem sucedida, Kandinsky estuda línguas, música, pintura, forma-se em direito e economia. Seus avós são transferidos para a Sibéria por razões políticas. É professor de direito na Universidade de Moscou. Monta com Franz Marc, Paul Klee e Shoenberg a Der Blaue Reiter. Escreve e ministra aulas sobre pintura, forma, espiritual. Seus textos estão em processo de tradução (aos poucos) e transmitem seu pensamento e sua forma de ver a arte, a pintura em especial.
No período revolucionário 1917, 1918 e a frente, é membro do departamento de Belas-Artes do Comissariado para a Instrução Pública, faz parte do Bureau Internacional e do diretório da seção teatro e filme, editor do jornal Iskssurvo. Em 1919 é membro do Comitê de redação da Enciclopédia de Belas Artes, redige os artigos Do Ponto, Da Linha (publicados em Iskssurvo). Participa em 1920, da fundação do Inkhuk (Instituto de Cultura Artística) para o qual redige na primavera um programa pormenorizado, esse programa será colocado em minoria, o que provocará a demissão de Kandinsky. Em 1921 é Membro do Comitê encarregado de estudar a criação de uma Academia da Ciência Geral da Arte. Dirige o sub-comitê da seção de psicofisiologia. Em dezembro deixa a Rússia, por Berlim. Em 1922 é chamado, como professor a Bauhaus de Weimar. Participa da grande exposição de arte russa em Berlim. Em 1928 adquire nacionalidade alemã. Recebe medalha de ouro das artes, concedida em Colônia.  Em Paris permanece até sua morte em 1944.

Enfim o período revolucionário russo não é só guerra. Há vida, há arte, há estética, há ética, apesar de todos os jogos de poder político-econômico e apesar de toda morte, falta de recursos e destruição.

Até onde foi possível lutar por tê-la!.

A pergunta que fica para os marxistas (parece que um dia eu também fui uma simpatizante) é: se a condição humana é a ação, o trabalho, como chamar-se-ão os seres (?) num mundo sem trabalho?.


“Se você me esperar, voltarei,
mas espere-me com muita força.
Quando a chuva trouxer a tristeza
espere que a neve se dissipe.
Espere quando o verão triunfar,
Espere quando esquecer o passado,
quando de países distantes
não vier mais correspondência.
Espere quando cansarem os que com você esperavam” (Simonoff) (eu espero...)


  

        

REFERÊNCIAS
DE MICHELI, Mario. As vanguardas artísticas. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

KANDINSKY, Wassily. Olhar sobre o passado. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

Dr. Jivago. Direção: David Lean. Metro-Goldwin-Mayer, EUA/Itália, 1965.

Reds. Direção e Produção: Warren Beatty. Paramount Pictures, EUA, 1981.     




-1 Psicóloga (CRP 07/7654), Jornalista (MTb 16.069) e professora no Departamento de Estudos Básicos (FACED/UFRGS). Doutora em Filosofia (PUC-RS), Doutora em Educação (UFRGS), Mestre em Letras e Cultura Regional (UCS), Bacharel em Psicologia (UCS) e Bacharel em Ciências Contábeis (UCS). Autora do ensaio mulheres para um homem... para O Homem, A Mulher (Edipucrs, 2008). Co-editora dos blogs Folha das Artes e Mondo della Arte, especializados em crítica de arte e pesquisa em (est)ética. E-mail: verareolon@terra.com.br. 

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