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sábado, 17 de junho de 2017

HISTÓRIA DA ARTE

HISTÓRIA DA ARTE

Guilherme Reolon de Oliveira – MTb 15.241

De maneira geral, pode-se afirmar que as preocupações da História da Arte, enquanto disciplina ou área do conhecimento, são identificar, classificar, interpretar, descrever e pensar as obras de arte.
Nesse sentido, há uma diferença fundamental entre apreciar arte e fazer história da arte. Apreciar está intimamente ligado à fruição das obras, o que não requer conhecimento prévio sobre a vida dos artistas, os manifestos de movimentos artísticos, os escritos de artistas, as teorias da arte, as reflexões filosóficas sobre o belo. Fazer história da arte, por sua vez, requer um entrelaçamento de conhecimentos sobre a arte, o que engloba uma enodulação de registros simbólicos e imaginários, no que concerne à teoria e à crítica de arte, bem como das continuidades e descontinuidades de estilos, rupturas paradigmáticas, invariantes estéticas, relação vida e obra de artistas. A apreciação está para o gosto, o julgamento e a observação, um desfruto, um tirar proveito de, assim como o fazer história da arte está para uma sistematização acadêmica e/ou ensaística sobre o próprio fazer artístico, em suas facetas teórica e prática, bem como em suas manifestações no tempo e no espaço.
A história da arte, pode-se afirmar também, se diferencia da história em si por se preocupar com problemas artísticos. A história tem por objeto de estudo fatos e acontecimentos que podem coincidir com objetos ou movimentos artísticos, no entanto, enquanto disciplina ou área do conhecimento, a história se preocupa com problemas históricos, ou seja, quais os elementos originários que provocaram rupturas ou descontinuidades nas relações entre poder e sociedade. A história da arte procura também na história fonte para suas questões, mas não só; ela se ampara em uma multiplicidade de teorias e conhecimentos, tais como a semiótica, a semiologia, a antropologia, a arqueologia, a sociologia, a psicanálise, a psicologia, a comunicação, os estudos de imagem, a filosofia. Os problemas da história da arte são fundamentalmente artísticos, ou seja, os objetos e/ou não-objetos artísticos, as obras, os manifestos, os escritos de artistas, a natureza da arte, o processo de criação.
Pode-se escrever história da arte a partir da vida dos artistas ou do ponto de vista do próprio artista, da recepção de suas obras, ou mesmo do processo de concepção destas. Pode-se escrever história da arte a partir de estilos, que marcam períodos, épocas de produção. Pode-se fazê-lo a partir de uma linearidade temporal, com a sucessão de obras, de acordo com o acontecimento de suas produções. Ou, em outros termos, há modos de organizar a arte e dar-lhe uma história, enfatizando o artista, o estilo, a região. Há, no entanto, outros modos de organizá-la: pode-se escrever uma história da arte que leve em conta poéticas, temáticas, modos de composição de obras, usos de cores, suportes ou mesmo intencionalidades. É isso que a historiografia nos lega: uma pluralidade de modos de fazer e escrever história da arte.

CONCEITO DE IDEIA NO RENASCIMENTO

Segundo Panofsky, a compreensão fundadora do Renascimento concerne à imitação do mundo natural, tendo Dante e Bocaccio como base para tal compreensão. Diz ele: “a arte tem por missão ser uma imitação direta da realidade” (1994, p.45).
No Renascimento, com a definição do desenho (Vasari), a pintura e a escultura passam a ser entendidas como vertentes de um mesmo fundamento. O desenho é a base originária de ambas. Há, nesse sentido, uma aproximação com o entendimento que hoje há das artes ditas plásticas – o conceito de artes visuais, por sua vez, engloba outros fatores – no qual pintura e escultura representam a essência de uma relação de volumes e espaços vazios e preenchidos.
O que é novo e define o Renascimento é, mais que isso, o pintor estar colocado frente a um modelo. A arte, assim, acaba por triunfar sobre a natureza. Leonardo é emblemático nesse sentido: pretende refutar os pintores que querem corrigir as coisas da natureza. A pintura mais digna é a que apresenta maior semelhança com a coisa pintada.
Há uma exortação para que o artista se afastasse da verdade da natureza para representar a beleza, para elevar a arte à representação da beleza. Assim, o triunfo da arte sobre a natureza é possível graças à imaginação e à inteligência do artista. Há uma dupla exigência das obras do Renascimento: ser fiéis à natureza, mas também à beleza, ou seja, tanto imitar, quanto corrigir a natureza.
O que caracteriza a teoria da arte nesse período é a relação sujeito-objeto, exemplificada, por exemplo, na perspectiva. A arte do século XV é herdeira da arte da Antiguidade: há uma reivindicação de um lugar entre as artes liberais e uma racionalização da atividade artística, ao mesmo tempo em que a arte deve ter como preocupação a verdade, transcrita em imitação, e a beleza, ressignificada em correção de “imperfeições”. A tarefa da teoria da arte acaba por ser, assim, a formulação de critérios válidos universalmente: como estabelecer uma normativa, já que o prazer atribuído à beleza não poderia ser o gosto individual do artista.
Pela primeira vez desde a Antiguidade, há um afrouxamento do vínculo entre o belo e o bem, como uma autonomia da estética. O problema passar a ser o reconhecimento e o julgamento da beleza visível: o credo realista renascentista reconciliado à Idéia. Para perceber a beleza, o espírito deve possuir uma “faculdade de perceber”, que para ser adquirido dependia da experiência, do exercício. Destaca Panofsky: “a idéia recebe da experiência, portanto, não apenas sua condição de possibilidade, mas precisamente sua origem” (1994, p.61). A Ideia, assim, é produto do conhecimento humano: não está mais na alma do artista, mas advém de uma investigação deste.
A Idéia, por sua vez, a partir da metade do século XVI, está ligada à faculdade de representação, bem mais do que o conteúdo da representação artística. Ela se acha prefigurada e como que em potência nos objetos, mesmo que seja conhecida e realizada em ato só pelo sujeito. O artista produz em seu próprio espírito e manifesta por seu desenho. Não provém do artista, mas da natureza por intermédio de um “julgamento universal”. A beleza, assim, é síntese interior dos casos particulares, não é obtida pelo acordo externo das partes (Panofsky, 1994, p.64).
A Ideia é um Ideal. É produto do espírito humano, mas exprime ao mesmo tempo as leis que estão prefiguradas nas coisas, e isso se afasta da subjetividade e do arbítrio. O natural é aperfeiçoado pela arte. A Beleza, assim, não está propriamente na natureza, mas no desenho (nas regras, no sistema do desenho) que provém da genialidade do artista.







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