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quinta-feira, 25 de junho de 2020

A DOCÊNCIA E A PSICOPEDAGOGIA FRENTE ÀS DEMANDAS CONTEMPORÂNEAS


VERA MARTA REOLON


Pesquisa apresentada ao Deparetamento de Ensino e Currículo,Psicopedagogia e Educação Infantil da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul..

PORTO ALEGRE – RS
Junho/2016

                                  APRESENTAÇÃO
Os resultados da tese de doutorado “O PROFESSOR NO LUGAR DO OUTRO”, defendidos  por esta autora, no PPG em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, apontaram que as estruturas psíquicas contemporâneas se configuram, psicanaliticamente, em psicose e perversão – não mais em neurose, tal como na época do nascimento da psicanálise,  com Sigmund Freud – e que a educação, nesse sentido, tem papel fundamental frente às demandas contemporâneas: o professor atuando como Outro, Lugar Materno por excelência, campo de inscrição de significantes no Sujeito. Este projeto visa aprofundar tal temática, visualizando as possíveis contribuições para a prática psicopedagógica no panorama antes estudado.

OBJETIVO
1.Objetivos Gerais
Investigar como a educação como Política Pública pode (e se pode) atender  às demandas estruturais dos sujeitos educandos frente às estruturas psíquicas que vigem no mundo contemporâneo. 

2.Objetivos específicos
Identificar o lugar do professor frente às demandas psíquicas contemporâneas a partir da teoria psicanalítica de Jacques Lacan. Analisar  como a psicopedagogia e sua atuação contribuem e auxiliam para atingir objetivos educacionais neste caso.Contrapor os dados coletados à teoria lacaniana do desejo e, por conseguinte, da ética da psicanálise.
Identificar as confluências educação e psicanálise, analisando os pressupostos das duas áreas do conhecimento visando reflexões e práticas psicopedagógicas e soluções frente aos impasses da pós-modernidade, visando atender às necessidades contemporâneas, especificamente à realidade brasileira..
Analisar, como apêndice, a obra O Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia, de Gilles Deleuze e Felix Guattari, com o objetivo de refletir sobre a questão do desejo, tendo em mente que a psicanálise centra seus estudos e sua teoria no Complexo de Édipo. Se a cultura humana é calcada, formada, na interdição do incesto originada no mito edípico, de Sófocles, como pensar a cultura, o desejo e o homem a partir do Anti-Édipo deleuziano?
Partindo do pressuposto de que a ética da psicanálise é a ética do desejo, constituído a partir do amor, e acreditando na tese de que a ética da psicanálise necessita de uma reversão em “desejo de ética”. Acreditando, ainda, que este desejo de ética seria possível através da educação, investigar como se daria este processo no meio educativo: se ele é possível de ser conquistado, se é possível a educação sem esta constituição primeira( família – socialização primária; escola – socialização secundária : para Peter Berger) nos sujeitos e como a educação pode (se deve) fazer esta passagem.

 Formulação do Problema
Seria o educador como Outro uma forma de fazer frente às grandes questões que nos afligem, a violência, a crueldade, as toxicomanias e, enfim, o que resulta e resta de e com os sujeitos contemporâneos nas psicoses e perversões?
O que vem antes, um mundo que facilita as toxicomanias, ou elas originam o mundo?
São estas “doenças modernas”, anorexia, bulimia, toxicomanias, resultados destas desestruturas psíquicas? . => estruturação saudável como PP de Saúde.
Como a psicopedagogia pode atuar ,neste sentido, visando uma escola mais saudável?
Pode a educação fazer frente a essas questões? Pode ela isentar-se disso? Como educar sem fazer essa passagem? É possível fazer a educação sem essa constituição primeira?

Em tempos pós-modernos, com suas tão singulares características, é de extrema importância que se proponha uma pesquisa, com limites entre ética, desejo, psicanálise e educação, à medida que presenciamos uma crise de valores e uma estagnação, em alguns aspectos, da psicanálise no final do século XIX e início do século XX.
A sociedade evoluiu (?) e a psicanálise, me parece, está ainda centrada na neurose, estrutura clínica que já não se enquadra em grande parte na sociedade. Atualmente, as estruturas vigentes são a psicose e a perversão, e cabe à psicanálise, juntamente com a educação e as Ciências Sociais,  propor uma reformulação de pensamento e de práticas nesse sentido.
Derrida faz uma desconstrução lingüística para chegar a um entendimento, que deseja que cheguemos com ele. Com a psicanálise, há uma desconstrução lingüística do sujeito, para que ele se “ache”, se compreenda efetivamente, enquanto estrutura psíquica. Desta forma, é necessário, importante e relevante, investigar como a educação pode (e se deve) fazer frente às desestruturas da contemporaneidade e a crueldade que advém delas.
Essa pesquisa propõe realizar uma profunda análise da psicanálise em conjunto com a educação e as ciências sociais e PP’s, no sentido de vincular uma reformulação teórica e prática em seus pressupostos e contatos com os educandos, buscando modificações nos paradigmas “estrutura psíquica,  educação e ética”, para a criação de políticas sociais e governamentais.  

QUADRO TEÓRICO
Segundo J. Derrida, em seu Estados-da-alma da psicanálise: o impossível para além da soberana crueldade (2001), “se há um discurso que poderia, hoje em dia, reivindicar a causa da crueldade psíquica como um assunto próprio, este é o que se chama, de mais ou menos um século para cá, psicanálise” (p.09). E, ainda, “onde a questão do mal radical ou de um mal pior que um mal radical não estaria mais abandonada à religião ou à metafísica, nenhum outro saber estaria disposto a se interessar por algo como a crueldade – salvo o que se chama psicanálise” (p.09).
            Por que falar em crueldade? Porque, na pós-modernidade (ou modernidade líquida, segundo Bauman, ou ainda, tempos hipermodernos, segundo Lipovetsky) observamos um social com estruturas psíquicas singulares. Se, à época de Freud, o que vigia, no social, era a estrutura da neurose, em nossos tempos, poder-se-ia dizer (se tivéssemos um afastamento temporal maior) que o que vige é a psicose e a perversão. Logo, estruturas em que o determinante é a crueldade. Partindo-se, assim, da escrita desconstrutiva de Derrida, o discurso psicanalítico é o que pode dar conta das questões contemporâneas.
     A psicanálise, como teoria interpretativa da realidade, serve para analisar os fenômenos, no campo individual, através das manifestações do inconsciente, presentes na linguagem dos diversos sujeitos, nos chistes, na interpretação dos sonhos, etc. Pode, entretanto, interpretar os fenômenos sociais, através da análise das manifestações da sociedade, das organizações e instituições, dos grupos sociais. Aliando-se a filosofia, essencial para seu desenvolvimento deste o início, a psicanálise, além de realizar interpretações, reflete sobre os fatos, utilizando-se das teorias dos grandes pensadores.
Mas a psicanálise, segundo Derrida “O mundo, o processo de globalização do mundo, tal qual vai [...]. Ele resiste de maneira desigual e difícil de analisar” (p.16), não consegue mais dar conta dessas questões ligadas à crueldade de nosso tempo, porque a ética da psicanálise centra-se na ética do desejo. Como atender às necessidades desse social emergente e cruel com a ética da psicanálise respondendo com a ética do desejo, a partir, por exemplo, da perversão?
De que forma o sujeito realiza sua identidade (sexual)? Ela ultrapassa a castração, pois implica na dimensão do terceiro. Inicialmente, o sujeito está com o Outro, numa relação de dependência, de cuidado. Este Outro é a mãe, não necessariamente a mãe biológica ou uma mulher. O Outro, aos poucos, vai introduzindo um terceiro, o pai, não necessariamente o pai biológico ou um homem. Este Outro, ao desejar o parceiro, Lugar de Desejo da Mãe, institui no filho o desejo por outro que não este filho. Assim, se determina o lugar paterno na estrutura, lugar do terceiro. Este lugar terceiro constitui uma lei interna ao sujeito, a lei da interdição (‘tu podes todas, menos esta, que é minha!’), a Lei do Nome do Pai. Conforme o sujeito se identifica com a mãe, ou com o pai, menino ou menina, esta identificação determina sua escolha de objeto, decisão do lado masculino ou feminino em sua escolha sexual. 
A realização sexual depende da desvinculação com o Outro. O Outro é imortal, ele permanece na estrutura enquanto amor, instituição do desejo. Não há significante cultural que dê conta desta morte. O desejo é indestrutível, o desejo é imortal. O desejo que nos constitui é o nosso diferencial ético perante o mundo. Buscando-o nos diferenciamos dos demais, nos tornamos únicos.
Mas como conciliar o desejo do analisando (na maioria das vezes, perverso e psicótico) e o mundo exterior, a sociedade como um todo? A psicanálise estaria sendo ética perante o social, à medida que tem sua ética calcada na ética do desejo? Minha tese (fruto dela e resposta às questões lançadas à mesma), junto ao Doutorado em Filosofia (PUC-RS), é que devemos fazer uma reversão da ética da psicanálise e buscar o desejo pela ética. Como chegar-se a isso? Lanço uma hipótese de que os processos educativos é que podem propiciar uma resposta a essa grande questão contemporânea, apresentando o professor como Outro, este Outro que está em falta para com o sujeito educando. Seria o educador como Outro uma forma de fazer frente às grandes questões que nos afligem, a violência, a crueldade, as toxicomanias e, enfim, o que resulta e resta de e com os sujeitos contemporâneos nas psicoses e perversões? Pode a educação fazer frente a essas questões? Pode ela isentar-se disso? Como educar sem fazer essa passagem? É possível fazer a educação sem essa constituição primeira?. Como pensar essas questões, tendo em vista a educação e a saúde como PP’s?
Nunca, em nenhuma outra época de nossa história, esteve o homem tão só em meio à multidão. Os ideais que o sustentavam caíram, a felicidade não depende mais da harmonia de vínculos sociais, mas de objetos adquiridos e ofertados incessantemente pela mídia e os instrumentos gerais do marketing. Há uma oferta de gozo total. A foraclusão da Lei da vida é paga com dízimos. O sujeito é transformado, através do seu assassinato, em objeto submisso do gozo do Outro. Não há nada mais psicotizante do que isso. Nas doenças da modernidade, anorexia, bulimia, toxicomanias, o que se tem são sombras que o mundo das luzes não ilumina. A modernidade nos oferece um mundo iluminado pelos outdoors plenos de ofertas, mas nosso eu, quem sou, para onde vou, o que desejo (?), não há resposta. Há muita “luz” NEON e a luz interior é apagada!.
A oferta que temos é de pulsão de morte em todo tempo. O mercado demanda ofertas onde o consumidor precisa e não vive sem a mercadoria. Este é o modelo de paradigma que abarca as toxicomanias, é causa e conseqüência delas. O que vem antes, um mundo que facilita as toxicomanias, ou elas originam o mundo? Não sabemos, devemos pensar sobre isso. As doenças modernas remetem à morte do sujeito, uma segunda morte que vem antes da primeira (interrupção da vida), pois esta segunda é a morte do sujeito no Simbólico. São estas “doenças modernas”, anorexia, bulimia, toxicomanias, resultados destas desestruturas psíquicas?
Através da leitura de obras de Lacan, Derrida, Deleuze, Guattari, Rawls, Platão e Aristóteles, pretende-se responder a essas questões.Hanna Arendt e a questão do totalitarismo => as perversões.
As confusões público-privado, câmeras e os excessos de invasões sobre a vida das pessoas, ao mesmo tempo que tais invasões em nada auxiliam no cessar da violência (já que o são por si)  e nada provam, quando exigidas pela justiça penal. Esta violência (invasão) produz uma violência virtual que, sob pressão, desencadeia violência física.
As FEBEM’s e a falsa educação do ECA na prática. As falas dos meninos da FEBEM: “eu quero ficar com os grandões no presídio, depois dos 18, quando zera minha ficha policial”  (sic).
Leis iguais para todos, mas como fica, por exemplo, o Complexo do Alemão, lei igual?
Hanna e o caso Eichmann e a forma “judaica” de conduzi-lo.
Conceito de aurtonomia => Bidung, a partir da Paidéia grega e de Rousseau e Hobbes.
Nietzsche : “nunca se precisou tanto de educadores morais” (sic)

METODOLOGIA
            Através da leitura das obras dos autores indicados, analisar como a ética, a psicanálise, a educação, a psicopedagogia confluem e podem interligar-se no sentido de buscar respostas às demandas sintomático-estruturais contemporâneas, para a criação de práticas psicopedagógicas eficientes.

Procedimentos metodológicos:
Estudo do conteúdo das obras indicadas, delimitando seus enfoques na Ética, no Desejo e na Educação.
Após a delimitação dos enfoques, interpreta-se quais as confluências entre a psicanálise, a educação, e a psicopedagogia  sob o prisma ético.
Estuda-se a contextualização da psicanálise desde o seu surgimento até a pós-modernidade, identificando suas mudanças em relação a sua ética e em relação ao seu enfoque perante o desejo do sujeito.
Introduz-se ao estudo, conhecimentos provenientes de outros pensadores, a cerca de suas teorias sobre ética e constituição amorosa-desejo.
Interpreta-se, sob as perspectivas da educação como prática psicopedagógica e  da psicanálise os resultados das análises.

Texto Final Proposto:
1. Introdução
2. Capítulo I – Estruturas Psíquicas Contemporâneas
3. Capítulo II – Ética da Psicanálise versus Desejo de Ética: filosofia, ética e psicanálise na pós-modernidade
4. Capítulo III – Psicanálise , Educação e Práticas Psicopedagógicas: reflexões para práticas educativas contemporâneas
5. Conclusão

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