A que se presta este blog??????????...............a estabelecer notícias, comentar fatos do cotidiano no e do mundo........elaborar alguma crônica de autoria dos blogueiros responsáveis (que, é óbvio, são maiores, responsáveis, éticos, e nada crianças - embora possuir a leveza das crianças "educadas" não seja nada ruim!!!!!).......realizar críticas, como pensamos não existir nas mídias que temos e vemos..........com, cremos, sabedoria e precisão.........com intuito de buscar melhorias em nossas relações com os seres vivos........e com/para o mundo..........se possível!!!!!!................


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"UMA FOTO É UM SEGREDO SOBRE UM SEGREDO.

QUANTO MAIS ELA DIZ, MENOS VOCÊ SABE."
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TORNE-O REAL".
M.T.
"EM TEMPOS DE M E N T I R A UNIVERSAL,

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George Orwel

quinta-feira, 25 de junho de 2020

QUE HOMEM TEMOS E PARA ONDE VAMOS (SE VAMOS!)?

VERA MARTA REOLON

Pesquisa apresentada à Área: Ensino de Filosofia – Ética e Filosofia Política  - Departamento de Filosofia e também à Área: Filosofia – Departamento de Filosofia vinculadas ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, da UFRGS.

PORTO ALEGRE – RS
2016/2017

Resumo

 O homem constituído pela marca desejante está condenado à liberdade de escolha e, com ela, deve representar todos os homens e o que de humano há neles, se é que possuímos humanidade. O Desejo como diferença. A racionalidade como disfarce de humano. O amor e o Outro como funções estruturantes do sujeito. O Desejo como marca de liberdade. O Desejo e a escolha. O homem e a liberdade. O homem e o Desejo. O homem e a escolha. A ação humana. A Condição Humana. O trabalho, o labor, a vita activa. A escolha de um estilo de vida, conforme proposto por Kierkegaard, o estilo de vida ético, o estilo de vida estético e o estilo de vida ético-estético (?). As tecnologias. A falta de recursos advindos da falta de postos de trabalho. O cuidado de si. A volta ao questionamento sobre o homem e quê homem temos, como e para onde vamos (se vamos!).  A educação, e a filosofia em particular, como passíveis e possíveis na busca por respostas (se é que as há!).

OBJETIVO
Objetivo Geral
Investigar como a filosofia como quadro norteador do pensamento humano, em seus processos educativos, mas não só, pode (se pode) responder ao grande questionamento da atualidade: Como gerar postos de trabalho em uma sociedade gradativamente mais inserida em um mercado de uso de tecnologias, seguindo-se com Hanna Arendt a grande idéia de que a condição humana por excelência é o TRABALHO, enquanto AÇÃO, vita activa. Objetivos específicos
Identificar o que é o homem, quem é o homem, como ele se constitui – teoria psicanalítica – Freud, Lacan ,o que é humano, que tipo de homem temos hoje no social, tendo como base as teorias existenciais de Kierkegaard, Sartre, passando por Camus e Heidegger, como uma ontologia, uma antropologia filosófica .
Investigar, a partir da obra A Condição Humana de Hanna Arendt, o que ela propõe como sendo esta condição humana por excelência e como isto se daria. Quais as propostas que ela apresenta para tanto.
Observar, e investigar, a partir da obra de Kierkegaard, o que ele propõe como escolha de vida para o melhor viver, atingir o eterno (ou não).
Desvendar, junto a Kierkegaard o que seriam os estilos de vida ético, estético. Como seria escolher um (se é que se deve fazê-lo), qual o melhor (se é que há um). Como seria optar por um estilo e que homem resultaria daí. Que tipo de homem (se é que há um) escolhe um ou outro tipo. E, o que seria o estilo de vida ético-estético que EU proponho como sendo o necessário.
Analisar, partindo de dados que já nos são fornecidos, estatisticamente ou na bibliografia existente, quais as condições vigentes no mundo atual, quanto a situação atual  de trabalho, oferta de postos, se as tecnologias propiciaram melhorias nestas condições e/ou fizeram com que o homem se torne obsoleto (aqui já é uma hipótese!).
Propor, se for o caso, respostas, proposições, possíveis (ou impossíveis) para quiçá um “novo” homem. De que tipo seria ele, é o mesmo da investigação primeira, as soluções seriam pensadas nas academias, nas instituições governamentais, pela sociedade, aleatoriamente?. A Escola nisso. Que tipo de alunos temos, que tipo de alunos precisamos ter, que tipo de professores são necessários para o homem. Que tipo de professores de Filosofia necessitamos? Como implementar tal ensino? E o “cuidado de si” (Platão/Foucault), como praticá-lo nestas novas propostas (se é que é possível!)?. Ou seria o “flaneur” (há diferença?) de Walter Benjamin uma outra resposta possível?, já que a proposta, desde Nietzsche, pensou-se em um retorno ao ethos grego com a Bildung alemã?
De que Filosofia precisamos para o ensino de uma Filosofia que possa propor-se transformadora?.

PROBLEMA
            Partindo-se do pressuposto de que a ação humana é o trabalho, que este é a condição humana por excelência. Partindo-se dos dados que nos são fornecidos praticamente todos os dias de queda de postos de trabalho. Partindo-se do dado de que muitos destes postos de trabalho são perdidos em função da introdução das tecnologias em todos os meios. Partindo-se de tudo o que se têm escrito sobre as idéias de homem, suas necessidades,  suas angústias e idéias do bem viver, do compartilhar, do viver em sociedade, de “compaixão”. Utilizando-se alguns autores e o que dizem sobre, que HOMEM temos hoje, ele é diferente, ele VIVE, ou ele apenas sobrevive e o mundo está num “salve-se quem puder” (ou seja, queda de toda e qualquer possibilidade social!)?.
Num tempo em que vivenciamos grandes demandas por novas respostas a tudo o que nos ocorre no social, nem sempre com vontade e desejo de pensar sobre elas, de muitas transições, imigrações, emigrações, transferências de pessoas de cá para lá (nem sempre bem vindas!), de uma violência galopantemente invasiva e sem possibilidades de soluções no mundo e na sociedade (não há interesse, a não ser que os interesses sejam os de livrar-se do “problema”, enjaulando, marginalizando, segregando, “matando”?), de um “parecer” ser, de um ter mais do que qualquer possibilidade de busca de ser, de viver, de um  mascarar-se para fingir ser algo e/ou alguém (aqui “copiar” o outro deixa de ser o horror Frankenstein para “parecer” ser o outro, sem qualquer possibilidade de identidade – DIFERENÇA - SINGULARIDADE - própria, sequer do outro - já que jamais haverá qualquer possibilidade de ser O outro!).
            Num mundo em que não se sabe mais o que é o homem, o que o diferencia de uma máquina, o que é uma máquina (alguns chegam ao absurdo de pensar que as máquinas  operam-se sozinhas, programam-se sozinhas,.., são!).
            Num tempo em que não se compreende o que se tem para viver, como as relações homem –homem podem se dar, como viver (já que tudo aparenta ser só “conexão”!) como escolher uma vida a viver, é possível ainda “escolher “?. O que pensadores antes de nós acreditaram ser uma escolha, uma  boa escolha? Ainda é possível “viver”, na forma como estes pensadores (alguns- ou todos?) pensaram, propuseram, escreveram sobre?
            Sem trabalho, não se tem o poder de troca para pensar em “VIDA”, socialmente, pessoalmente, em família,.... Como, há um homem sem trabalho, logo, sem o retorno desta condição?. Quem o sustenta, o quê o sustenta, ele pensa, ele “rouba” (se ele rouba, ele tem a condição???? – ele é HUMANO??)?.
            Se o homem, ou o ser que temos hoje (se é “ser”), não tem a condição de seu sustento, quem o mantém respirando?? De onde viriam recursos para tanto, que tipo de governos podemos pensar para atender a essas demandas (é de “governo” que se precisa – de que tipo de “governo” estes “seres” precisam?).
            Estas são questões que urgem ser pensadas, até mesmo para repensar sociedades, meios de sobrevivência, de subsistência, de trocas, meios de relações, possíveis ou não, de seguir com o que fazemos ou mudar os rumos. Logo, se há um lugar onde tais questões, indagações JÁ DEVERIAM TER SIDO PENSADAS E OBTER ALGUMAS PROPOSTAS deveria ser na FILOSOFIA.
            URGE, para ONTEM, que a educação, principalmente na FILOSOFIA, já estivesse com alunos “formados”, pensando sobre tais questões, propondo novas pesquisas, mas com ÉTICA  (não é na ACADEMIA que se deveria falar, pensar, escrever, discutir, propor desta forma??? – se não for – onde mais poderia ser – existe um outro lugar?????).   
            Derrida faz uma desconstrução lingüística para chegar a um entendimento, que deseja que cheguemos com ele. Com a psicanálise, há uma desconstrução lingüística do sujeito, para que ele se “ache”, se compreenda efetivamente, enquanto estrutura psíquica. Desta forma, é necessário, importante e relevante, investigar como a educação pode (e se deve) fazer frente às desestruturas da contemporaneidade e a crueldade que advém delas.
Essa pesquisa propõe realizar uma profunda análise da psicanálise em conjunto com a educação e a filosofia, no sentido de vincular uma reformulação teórica e prática em seus pressupostos e contatos com os educandos, buscando modificações nos paradigmas “estrutura psíquica, educação e ética”, para a criação de políticas sociais e governamentais, inclusive (se for o caso!).  

TEORIA OU QUADRO TEÓRICO

“Os discursos NÃO se apagam E SE fazem presentes em CADA ação.
Cem linhas, COM linhas e sem linhas [...]”
O SEGREDO: “fazer existir, não julgar” (Deleuze)
OUTRO SEGREDO: “Não invadir a VIDA dos outros” (Vera Marta Reolon)


Através do estudo de diferentes autores propostos buscamos um referencial: que faz com que nos tornemos humanos, o que nos diferencia como humanos?. O homem, em alguns momentos, diz-se humano porque possui racionalidade, porque possui espírito, enfim diferentes conceitos, construções teóricas que, na verdade, nada dizem, são apenas palavras que não trazem respostas às nossas inquietações.
A psicanálise, como teoria interpretativa da realidade, serve para analisar os fenômenos, no campo individual, através das manifestações do inconsciente, presentes na linguagem dos diversos sujeitos, nos chistes, na interpretação dos sonhos, etc. Pode, entretanto, interpretar os fenômenos sociais, através da análise das manifestações da sociedade, das organizações e instituições, dos grupos sociais. Aliando-se a filosofia, essencial para seu desenvolvimento desde o início, a psicanálise, além de realizar interpretações, reflete sobre os fatos, utilizando-se das teorias dos grandes pensadores.
Partindo-se, assim, da escrita desconstrutiva de Derrida, o discurso psicanalítico é o que pode dar conta das questões contemporâneas: “Se há um discurso que poderia, hoje em dia, reinvindicar a causa da crueldade psíquica como assunto próprio, este é o que se chama, de mais ou menos um século para cá, psicanálise” (DERRIDA, 2001, p.8-9).
Basta que eduquemos, que adestremos os animais, mesmo que selvagens, para observarmos neles amorosidade, carinho, dedicação. Se os tratarmos com amor, recebemos amor e dedicação para sempre. O ser humano também precisa desta “amarragem” amorosa, sem esta estruturação, sem esta dedicação ele fica perdido, como um objeto do Outro, este que o gerou. É preciso que o ser humano, ao nascer, ou antes disso, seja desejado, seja marcado com a insígnia do desejo por alguém, que ele tenha sido esperado, querido por alguém, mas não desejado para completar este alguém, e sim que ele seja desejado para viver, ser feliz, progredir, fazer-se. É um processo, e um projeto de humanização constante, que se inicia com este Outro.   
Para que sejamos marcados como desejantes, tenhamos “voz plena de valor”, precisamos da marca primordial de instituição narcísica, que denominamos Amor do Outro. Outro este que faz para nós um papel materno, de mãe instituidora da marca amorosa que levaremos em nossas vidas. Sem esta marca inicial não somos considerados estruturalmente sujeitos, donos de uma identidade, estaremos sempre presos a alguém que nos deve conduzir pela vida, pois esta marca é primordial, necessária em nossa frenética luta pela libertação. Com a marca podemos nos libertar e seguir. Sem a marca estamos presos ao desejo do Outro, às suas imposições.

                       
Freud via nos primórdios da experiência psíquica uma identificação primária que consistiria na “transferência direta e imediata” do ego em formação para o “pai da pré-história individual”, o qual possuiria as características sexuais de pai e mãe e seria um conglomerado de suas funções. (KRISTEVA, 1987, p.36).
           
            Diferentemente de Platão, que concebe o amor como movimento, pulsão, vida, desejo de algo, busca por algo, Schopenhauer encontrou o a priori manifestando-se na Vontade. Como coloca  Dumoulié (2005), o nosso conhecimento se acha encerrado no mundo dos fenômenos, portanto de representação, mas nós temos a intuição imediata através do nosso corpo, da essência íntima dos seres e do mundo. Para Schopenhauer, que sofreu influências de Platão e Kant, o mundo é fenômeno, é representação. A Vontade estaria em um mundo de idéias – platônico -, num mundo idealizado, superior, inalcançável, que pode apenas ser simbolizado. A Vontade, entretanto, não é externa, para Schopenhauer, ela está em nós:


A coisa em si, que não podemos conhecer do lado de fora, nós a alcançamos diretamente por dentro, pois ela está em nós. Esta Vontade, da qual a vontade humana é apenas uma manifestação, é um princípio metafísico, sustentáculo de tudo aquilo que é. [...] A expressão “coisa em si” deve ser entendida da maneira mais concreta, como uma Coisa toda-poderosa que habita em cada um de nós, que nos faz viver e nos vai devorando ao mesmo tempo. Por essência é um desejo bruto, cego e insaciável. (DUMOULIÉ, 2005,p.101).

            Schopenhauer estabelece uma dupla lei relativa ao desejo: os contrários se atraem e cada um procura no outro aquilo que lhe falta. Desta forma, procura-se um amado que possua aquilo de que se é carente. Aqui há uma conexão com Platão e com Lacan.
            Embora Lacan tenha aparentado uma grande distância em relação a Schopenhauer, que ele quase não cita, seu pensamento apresenta inúmeros pontos de contato com o filósofo. A noção de Coisa, tão essencial à teoria lacaniana, cujas nobres origens kantianas e heideggerianas são abertamente reconhecidas, tem ocultas e profundas ligações com a Coisa em si de Schopenhauer, a Vontade de gozo cega e mortal.
            Alain Juranville (1987) faz uma diferenciação das estruturas neurose, psicose e perversão, no que concerne ao desejo e ao amor de estrutura:

O psicótico não dá, não quer a relação com o Outro, que suporia que ele entrasse na castração. “A psicose”, diz Lacan, “é uma espécie de falência no que concerne à realização do que é chamado ‘amor’”. Nela, o sujeito quer o gozo absoluto, o que ele efetivamente conhece ao nível de seu corpo. Daí seu narcisismo. [...] [Na perversão] dá-se apenas ao Outro simbólico, essencialmente ausente do mundo. Todos os “outros” humanos, inclusive o próprio sujeito, são para esse Outro instrumentos de gozo. [...] O neurótico precisa, pois, de um simbólico suplementar, ou seja, do sintoma, onde o desejo se mantém como recalcado. (JURANVILLE, 1987, p.363-365).

           
            O que nos torna humanos então, para a psicanálise, não nos deixando objetivar, ou sermos objetivados, é este amor de estrutura, que nos diferencia perante os demais, que nos torna desejantes, desejantes de vida, de felicidade, de busca.
            Sartre vai além deste conceito, ele fala do existir humano, do processo da existência humana, como uma construção, construção essa que parte da própria liberdade de ser humano. O homem vai construindo sua existência, a partir da liberdade que possui, liberdade de escolher, conforme seu desejo: “toda verdade e toda ação implicam um meio e uma subjetividade humana” (SARTRE, 1970, p.01).
            O humano é constituído pelo Outro. A partir desta marcação estrutural, amorosa, ele pode nomear-se, determinar-se, decidir por si. Inicialmente ele não é nada, é o resultado do desejo deste Outro. Mas é somente através deste desejo que ele poderá desejar, para si, para o mundo.
           
            No texto sartriano, há uma noção de humanidade que extrapola toda a individualidade, todo egoísmo ou todo egocentrismo narcisista que o homem possa carregar, pois ele expõe a liberdade existencial humana como uma responsabilidade que inclui a humanidade inteira: “a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, pois ela engaja a humanidade inteira” (SARTRE, 1970, p.03).
            Logo, em Sartre, toda nossa ação é livre, a partir de nossas escolhas, toda nossa ação é uma construção livre de nossa individualidade, uma marca individual de nossa existência, mas ela também é uma responsabilidade sobre a marca que transmitimos como retrato da humanidade toda e “sobre” toda essa humanidade. Essa responsabilidade carrega muita angústia, e daí a afirmação de Sartre de que o “homem é angústia” (SARTRE, 1970, p.04). Não há disfarces para a angústia, pois ela faz parte deste existir humano, de escolhas e de responsabilidade.
            Kierkegaard vai propor que o homem deve/pode escolher/eleger  como vai conduzir sua vida. Propõe dois estilos de vida, de escolha: o estilo de vida estético e o estilo de vida ético. Se o homem opta por seguir um estilo de vida estético (que aqui nada tem de estética – arte ou o que hoje entendemos pelo termo estética), ele é o que vive o INSTANTE (fronteira entre o antes e o depois). Em princípio ele viveria em liberdade. Mas na crítica que Kierkegaard faz a este “escolhedor”, dirá que esta liberdade é um engodo, já que  a verdadeira liberdade só se dá na opção pelo estilo de vida ético

o que vale é madurar a própria personalidade  antes de formar o espírito. [..] desejarias fortalecer tua alma [..] tem em cada ser uma potência capaz de desafiar o mundo inteiro. [..] o principal da vida , reconquistar-te a ti mesmo , adquirir-te a ti mesmo, com a condição de que possas, o mais bem que queiras poder a energia necessária para fazê-lo. (KIERKEGAARD, 1966, p.9-11)..


O estilo de vida ético, à semelhança do que ocorria no mundo grego incorpora, abarca o que entendemos por estético. Ao optarmos pelo estilo de vida ético, incluímos em nossa opção a vida estética, incluímos a opção por nós mesmos, o eterno. O sujeito  que opta pelo estilo de vida estético vive no desespero e nada tem de fato.

Tua escolha é uma escolha estética, mas uma escolha estética não é uma escolha. Em verdade, o fato de escolher é uma expressão real e rigorosa da ética [..] o único aut-aut  (ou isto, ou aquilo) absoluto que existe é a escolha entre o bem e o mal e essa escolha  também é  absolutamente ética. (KIERKEGAARD, 1966, p. 20).


O desespero não deve ser um inibidor de minha ação. Ao contrário, deve me engajar na ação: “não é preciso ter esperança para empreender [...] não deverei ter ilusões e que farei o melhor que puder” (SARTRE, 1970, p.08). 
            A realidade só existe a partir da ação, o homem só existe à medida que se realiza na ação, o homem é o conjunto de seus atos.
            Para Hanna Arendt o homem não é um ser de natureza, é um ser de condição. A condição humana é que o homem é um ser de ação (arte) e discurso (político).  Hanna diferencia labor de trabalho, mas dirá que a condição humana, por excelência é o trabalho, ação humana que nos diz quem e o quê somos.

Com a expressão vita activa pretendo designar três atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. [..] o labor é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano [...] tem a ver com as necessidades vitais [..] a condição humana do labor é a própria vida. O trabalho é a atividade correspondente ao artificialismo da existência humana. [..] a condição humana do trabalho é a mundanidade. A ação, única atividade que se exerce diretamente  entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade. (ARENDT, 2008, p.15).

            Independentemente se tomamos cada uma das atividades humanas ou se nos dedicarmos, abarcarmos o termo proposto por Hanna, vita activa, as três atividades referem-se ao que designa, distingue o homem como homem, à durabilidade do mundo, já que o homem o habita.

o trabalho de nossas mãos, em contraposição ao labor de nosso corpo – o homo faber que “faz” e literalmente “trabalha sobre” os materiais, em oposição ao animal laborans que labora e “se mistura com eles” – fabrica a infinita variedade de coisas  cuja soma total constitui o artifício humano. (ARENDT, 2008, p.149).  

            Outros autores também nos apresentam a importância do trabalho na vida humana, para o seguir de sua existência: “No trabalho, o homem satisfaz uma potência de criação que se multiplica por numerosas metáforas” (BACHELARD, 2001, p.24). A própria Hanna vai nos conduzir, em seu texto A Condição Humana, o que faremos (ela já se questionava nos anos 60  do século XX), sem trabalho: “O que se nos depara, portanto, é a possibilidade de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, isto é, sem a única atividade que lhes resta” (ARENDT, 2008, p.13).
            E ela mesma nos aponta o que pode nos ter conduzido a esta “situação”:

[..] talvez o desejo de fugir à condição humana esteja presente na esperança de prolongar a duração da vida para além do limite de cem anos. [..] O problema tem a ver com o fato de que as “verdades” da moderna visão científica do mundo, embora possam ser demonstrados em fórmulas matemáticas e comprovadas pela  tecnologia, já não se prestam à expressão normal da fala e do raciocínio. [..]Se realmente for comprovado esse divórcio definitivo entre o conhecimento e o pensamento, então passaremos, sem dúvida, à condição de escravos indefesos, não tanto de nossas máquinas quanto de nosso know-how, criaturas desprovidas de raciocínio, à mercê de qualquer engenhoca tecnicamente possível, por mais mortífera que seja. (ARENDT, 2008, p.11)  


. Nunca, em nenhuma outra época de nossa história, esteve o homem tão só em meio à multidão. Os ideais que o sustentavam caíram, a felicidade não depende mais da harmonia de vínculos sociais, mas de objetos adquiridos e ofertados incessantemente pela mídia e os instrumentos gerais do marketing. Há uma oferta de gozo total. A foraclusão da Lei da vida é paga com dízimos. O sujeito é transformado, através do seu assassinato, em objeto submisso do gozo do Outro. Não há nada mais psicotizante do que isso. Nas doenças da modernidade, anorexia, bulimia, toxicomanias, e a conseqüente violência advinda delas,  o que se tem são sombras que o mundo das luzes não ilumina. A modernidade nos oferece um mundo iluminado (de uma iluminação artificial, mascarada)  pelos outdoors plenos de ofertas, mas nosso eu, quem sou, para onde vou, o que desejo (?), não há resposta. Há muita “luz” de LED e a luz interior é apagada!.
A oferta que temos é de pulsão de morte em todo tempo. O mercado demanda ofertas onde o consumidor precisa e não vive sem a mercadoria. Este é o modelo de paradigma que abarca as toxicomanias, é causa e conseqüência delas. O que vem antes, um mundo que facilita as toxicomanias, ou elas originam o mundo? Não sabemos, devemos pensar sobre isso. As doenças modernas remetem à morte do sujeito, uma segunda morte que vem antes da primeira (interrupção da vida), pois esta segunda é a morte do sujeito no Simbólico. São estas “doenças modernas”, anorexia, bulimia, toxicomanias, resultados destas desestruturas psíquicas?
Hanna Arendt e a questão do totalitarismo => as perversões.
As confusões público-privado, câmeras e os excessos de invasões sobre a vida das pessoas, ao mesmo tempo que tais invasões em nada auxiliam no cessar da violência (já que o são por si)  e nada provam, quando exigidas pela justiça penal. Esta violência (invasão) produz uma violência virtual que, sob pressão, desencadeia violência física.
As FEBEM’s e a falsa educação do ECA na prática. As falas dos meninos da FEBEM: “eu quero ficar com os grandões no presídio, depois dos 18, quando zera minha ficha policial”  (sic).
Leis iguais para todos, mas como fica, por exemplo, o Complexo do Alemão, lei igual?
Hanna e o caso Eichmann e a forma “judaica” de conduzi-lo.
Conceito de autonomia => Bildung, a partir da Paidéia grega e de Rousseau e Hobbes.
Nietzsche: “nunca se precisou tanto de educadores morais” (sic)
Michel Foucault em seus Seminários sobre o Governo de Si e dos Outros e sobre a Hermenêutica do Sujeito aborda e discorre sobre o cuidado de si, como uma questão ampla de uma busca de saúde que vai de encontro com o conhecimento de si, com o saber de seu corpo, com o saber de suas necessidades, de seus desejos, com vistas a uma ampla busca de felicidade, não mais como uma busca utópica, subjetiva, inalcançável (talvez como ideal demais!) mas, através desse conhecimento de si, uma felicidade possível, palpável, vivenciável: “A filosofia está assimilada ao cuidado com a alma (o termo é precisamente médico: hugiainein), e esse cuidado é uma tarefa que deve ser seguida ao longo de toda a vida”. (FOUCAULT, 1997, p.120).
Hermenêutica de si => epimeléia  heautou (grego) – cura sui (latim) – princípio de ocupar-se de si => cuidar de si mesmo => conhecer a si mesmo => obscurecido pelo brilho do Gnôthi seauton. (FOUCAULT, 1997,p.119).           
            .Que fazer de nossas vidas, quem somos, para onde vamos, tudo depende de nós: “o destino do homem está em suas próprias mãos” (SARTRE, 1970, p.09).

METODOLOGIA

            Através da leitura das obras dos autores indicados, analisar como a ética, a psicanálise, a estética, a educação, a filosofia confluem e podem interligar-se no sentido de buscar respostas às demandas contemporâneas, ampliar e conceituar ontologicamente o homem, suas buscas, suas necessidades para a vida em sociedade e sua própria existência. Estabelecer  como um professor de Filosofia no ensino médio pode trabalhar com os alunos as questões filosóficas que propomos.
 

Procedimentos e hipótese de trabalho

1. Realizar um estudo do conteúdo das obras indicadas, delimitando seus enfoques na Ética, Filosofia, Educação.
2. Após a delimitação dos enfoques, interpretar quais as confluências entre a filosofia, educação, ética, estética nos temas propostos da busca do que é o homem, da ação humana, das escolhas humanas, do “novo” homem (se o há!).
3. Estudar a contextualização do trabalho nas relações humanas. O ingresso das tecnologias, seus usos e abusos. O homem sem o trabalho, o que resulta daí.
4.  Introduzir ao estudo, conhecimentos provenientes de outros pensadores,e outros campos acerca de suas teorias sobre o tema.
5. Interpretar, sob as perspectivas da filosofia, da antropologia filosófica, educação, da ética, da educação  e das diferentes transdisciplinas os resultados das análises, dos estudos.

Resultados pretendidos
Preparação de bolsistas, pesquisadores, professores, formação de professores para o ensino médio, material de pesquisa (publicações de artigos e livro).
Alunos vinculados, material bibliográfico a ser adquirido/utilizado, custos operacionais diversos: dependentes da dotação orçamentária destinada pela CAPES, CNPq e/ou outros órgãos de fomento, UFRGS e curso de Filosofia, especificamente. 

REFERÊNCIAS

Bibliografia principal
ARENDT, Hanna. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. 3ed. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1985.
BACHELARD, Gaston. A terra e os devaneios da vontade: ensaio sobre a imaginação das forças. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoievski. São Paulo: Forense, 1997.
BENJAMIN, Walter.Origem do Drama Trágico Alemão. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.
__________Estética Y Política. Buenos Aires: Las Cuarenta, 2009.
DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix. O Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia. Lisboa: Assírio e Alvim, 1966.
_______. O que é a filosofia? São Paulo: Editora 34, 2010.
_______. Conversações. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.
DERRIDA, Jacques. Estados-da-alma da psicanálise. São Paulo: Escuta, 2001.
_______. Da hospitalidade. São Paulo: Escuta, 2003.
_______. Margens da Filosofia. Campinas: Papirus, 1991.
_______. Paixões. Campinas: Papirus, 1995.
DUMOULIÉ, Camille. O desejo. Petrópolis: Vozes, 2005.
FOUCAULT, Michel. O governo de si e dos outros. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
_______. Resumo dos cursos do Collège de France. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
FREUD, Sigmund. Edição stantart brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
HEIDEGGER, Martin. Que é isto – A filosofia? In: Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
_______. Que é metafísica? In: Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
_______. Identidade e diferença. In: Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
KIERKEGAARD, Sören. Estética y Ética em la formación de la personalidad. Buenos Aires: Editorial Nova Buenos Aires, 1966.
KRISTEVA, Júlia. No princípio era o amor. São Paulo: Brasiliense, 1987.
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_______. O seminário 7: a ética da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.
_______. Écrits. Seuil, 1966.
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_______. Textos escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1984.
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