A que se presta este blog??????????...............a estabelecer notícias, comentar fatos do cotidiano no e do mundo........elaborar alguma crônica de autoria dos blogueiros responsáveis (que, é óbvio, são maiores, responsáveis, éticos, e nada crianças - embora possuir a leveza das crianças "educadas" não seja nada ruim!!!!!).......realizar críticas, como pensamos não existir nas mídias que temos e vemos..........com, cremos, sabedoria e precisão.........com intuito de buscar melhorias em nossas relações com os seres vivos........e com/para o mundo..........se possível!!!!!!................


Críticas por e pela ARTE ( ESTÉTICA COM ÉTICA - como deve ser!!!! - desde a PAIDÉIA - a BILDUNG - .......ATÉ O SEMPRE!!!!!!!)



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"UMA FOTO É UM SEGREDO SOBRE UM SEGREDO.

QUANTO MAIS ELA DIZ, MENOS VOCÊ SABE."
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"A VIDA É UM SONHO.

TORNE-O REAL".
M.T.
"EM TEMPOS DE M E N T I R A UNIVERSAL,

DIZER A V E R D A D E É UM ATO REVOLUCIONÁRIO"

George Orwel

terça-feira, 28 de abril de 2020

CURADORIA!



VERA MARTA REOLON
GUILHERME REOLON DE OLIVEIRA

  
CURADORIA!

Qualquer um pode ser Curador?

O que é curadoria?

Pois bem!


Curador é cuidar, zelar pela obra do artista, dar visibilidade ao trabalho dele. Cuida do negócio da arte, em contraposição à criação em arte.

Curadoria é um campo interdisciplinar (valor da obra, patrocínio, logística, aluguel de espaço, iluminação, contacto com  imprensa, contextualização (histórica, cultural e teórica) do trabalho ). De onde e para onde a obra quer ir. Levantar características que dêem visibilidade à obra.

Trabalho do curador abre um acontecimento, apresenta o trabalho como matrizes para novas seqüências: raízes e ramos que podem surgir da obra.  Acrescenta marketing e outras linguagens à obra. Abre um sentido, dá sentido ou dá um espaço para que outros sentidos possam surgir. O curador deve ter sensibilidade para apresentar o objeto curado para que não haja prejuízo de percepção. Não deformar o trabalho nem para mais, nem para menos. Tem uma função social e de educação não formal. – a partir de texto de Cauê Alves, intitulado Curadoria como historicidade viva.


A exposição fotográfico-performática  A fotografia como corpo performatizado: a autoridade de imagem  construída, que está acontecendo no Espaço Cultural ESPM-SUL, sob curadoria de Niura Legramante Ribeiro, certamente atinge os objetivos de uma curadoria como o autor propõe.
A curadora apresenta a idéia de fotografias com corpos-modelos, apresentando movimentos, vinculados ou não à natureza, aos objetos, à vida que se desenvolve e se desenrola no decorrer do tempo fotografado.
A curadora apresenta as fotografias, como momento do modelo fotografado – o performer, o fotógrafo está aí para registrar este momento.
Diversos são os fotógrafos, como diversos são também os modelos fotografados, os ambientes, as nuances de cor, sugestão de movimentos, luz, imagem.
Segundo a curadoria a fotografia selou um pacto com a representatividade, para formar uma noção de imagem.


Para mim, a fotografia, em seu início, buscava registrar e reter um momento, uma imagem que se quisesse perpetuar na lembrança. Esta era a função da fotografia.

Em nossos dias, a manipulação das imagens, em todos os contextos, mesmo para retocar uma fotografia mal-feita, ou sem os resultados esperados, para manipular a imagem de uma modelo com distorções, imperfeições, tudo se tornou uma outra busca, uma busca performática que faz, tanto do modelo retratado, quanto do fotógrafo, um possível “artista”.
Esta acaba sendo a idéia proposta pela curadoria no caso, penso eu, com os artistas presentes na apresentação (fotógrafos e modelos).

A curadoria preparou fotografias performáticas, aliando movimentos, simulados ou não, a manipulações das imagens, propondo novas (ou velhas leituras).

Em fotografias de inserções de modelos na natureza, a cor, a luz, a sombra, o aparecer-desaparecer.

Registros de sombras, de movimentos, a sombra => seqüências de fotos e/ou manipulação de imagens, seqüências como cinema, dando a sensação do movimento através do tempo.


Selecionamos, de início, duas fotografias da mesma fotógrafa, Danny Bittencourt.


1

DANNY BITTENCOURT

Superfície

Impressão em papel Fine Art
A fotografia mostra uma modelo deitada sobre a água com perna e braço esquerdo erguidos. Aqui o movimento é o correr da água, a modelo está imóvel no momento da tomada, mantendo um braço e uma perna fora da água. Estes membros não estariam sob o efeito do movimento da água?

2

DANNY BITTENCOURT

Resistência

Impressão em papel Fine Art
A fotografia retrata uma modelo na beira do rio, prestes a cair (ou dá a idéia de que está a cair dentro do rio) e o fotógrafo registra este ínterim anterior à queda.

Aqui o movimento é o da modelo. Ela está em movimento no ar, na “cena”.

3

CLÓVIS DARIANO

Do sagrado ao profano, 2014

Fotografia digital, 60x80
Uma imagem, circundada por diversas imagens, se contrapõe àquelas. A primeira, centralizada, em tamanho maior, parece estática. As demais, menores, por estarem “desfocadas”, remetem ao movimento. Mas a diferença é enganosa. O conjunto lembra uma obra fílmica, na qual se desenrola uma ação: o estar no quarto, o despir-se, culminando no ato masturbatório. A agilidade das primeiras ações parece quebrar-se num momento quase estático do último ato, representado na imagem central. O estático do êxtase remete à idéia metafísica de que o orgasmo é um “breve morrer” – aqui poderíamos dizer que há um paralelo do conjunto de imagens com a escultura “O êxtase de Santa Tresa “ de Bernini: um movimento estático, um êxtase em ação. E “do sagrado ao profano” pode, neste sentido, també configurar-se em “do profano ao sagrado”. Basta uma outra perspectiva hermenêutica.

4

NATÁLIA SCHULL

Movimento, 2015

Fotografia em papel fotográfico, 90x60
Uma série de imagens, colocadas lado-a-lado, enfileiradas, pode muito bem ser “lida” como um texto: da esquerda para a direita, de cima para baixo, tal como uma narrativa. Mas imagens correspondem a palavras? Há uma sintaxe que ligaria uma imagem a outra, formando um texto? Diversas imagens formam um conjunto narrativo? O cinema afirmará que sim. Mas a dúvida permanece. A artista-fotógrafa parece concordar, ao nomear sua obra “Movimento”. O conjunto de “Movimento”, assim, parece uma dança, uma obra coreográfica, uma “escrita de movimento”. A obra em questão, fotográfica, transfigura-se, neste sentido, em uma partitura de dança. Muito bem elaborada.

Fundação Iberê Camargo
A curadoria preparou uma exposição da obra de Iberê, denominada Diálogos no Tempo.

Curadora: Angélica de Moraes
A proposta é apresentar ao público uma investigação sobre o “DNA” da obra de Iberê. A curadora estabeleceu o período em que conheceu o artista, por volta de 1980, momento em que Iberê empreendeu um movimento de retorno ao corpo humano, à figura humana, aos reflexos que deformam o que espelham, com fartas camadas de tinta, as linhas em seu elemento natural.

5

IBERÊ CAMARGO

Estudos para a pintura Fantasmagoria IV, 1987

Tinta de esferográfica sobre papel, 32x17cm, 31,8x21,2cm

Col. Maria Coussirat Camargo/Fun dação Iberê Camargo, Porto Alegre.
Tracejados em preparação para uma possível pintura, um corpo feminino, um corpo masculino, anotações. O traçado dos corpos e a provável idéia de uso em serigrafias, sua mostra das obras nesta modalidade evidencia o uso do corpos e riscos coloridos sobre estes, como o proposto neste esboço (os riscos sobre os corpos!).

6

IBERÊ CAMARGO

Iberê, 1987

Óleo sobre tela/78x55cm

Col. Maria Coussirat Camargo/Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre
Auto-retrato do artista. Tela escura, uso de cores escuras, excessos de tinta. O “retrato” se faz com sulcos profundos realizados com algum objeto pontiagudo que determina o traçado.

Esta tela, aparentemente, remete a outra do começo do artista em um auto-retrato, lá bem mais delineado e claro, quase uma fotografia mesmo, de sua juventude. Digo que a tela proposta remete  à segunda (que é anterior) pois ambas foram expostas juntas.
Na proposta da curadora as telas realmente foram colocadas, na exposição, lado a lado para que o visitante possa compará-las em momentos distintos da obra do artista.
Importante dizer que Iberê nasceu em 1914, em 18.11, em Restinga Seca (RS) e morreu em 09 de agosto de 1994, em Porto Alegre (RS).

7

IBERÊ CAMARGO

Diálogo, 1987

Óleo sobre tela

42x30cm

col. Maria Coussirat Camargo / Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre
A figuração, retomada por Iberê na década de 1980, está presente, com traçados e pinceladas que remetem ao cubismo, com noção de perspectiva modificada, ora parecendo figuras “chapadas”, como nas pinturas bizantinas. O uso das cores escuras dominantes é contrastado com o branco que preenche os corpos. O estilo de Iberê se faz presente. Quanto ao conteúdo: o “diálogo” que dá nome à obra parece não-dialógico, muito mais impositivo, com um dos retratados com “dedo em riste”. O outro retratado, no entanto, ri. Que diálogo resta quando as línguas (os idiomas/as intenções) não conversam? Figura-se a “diferença” na obra, mas os diferentes, impondo-se, excluem-se. Fica a intolerância. 


Exposição de Sérgio Camargo – Fundação Iberê Camargo      
Exposição sob o título: Luz e Matéria

Curadoria Paulo Sérgio Dutra e Cauê Alves
Segundo os curadores a obra do artista se confunde com seu método de trabalho.Sérgio Camargo (1930-1990). Criação como processo íntimo da forma. São obras que se confundem “tela” com escultura, trabalhos em granito branco (mármore) e preto , além de peças em madeira (colagens).

8

Sem título, edição 82, 1965

Relevo, madeira pintada

42x62,4cm

Coleção particular
A “tela” está exposta como um quadro. São “caninhos” – “tocos”, como os chamou o artista – aparentemente “colados” a uma superfície de madeira e pintados por cima com uma cor ocre. Deixou um vão entre os “tocos”, como um “caminho” ,  entre pedras?.
Na verdade observar um trabalho em exposição, ou uma obra de arte em qualquer lugar é de uma fruição absolutamente individual, particular e da subjetividade de cada um. O observador dá valor à peça, que pode ou não ser igual a que o artista se propôs quando da elaboração da obra.

 Bibliografia
ALVES, Cauê. Curadoria como Historicidade Viva.



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