VERA MARTA REOLON
SETEMBRO DE 2003
Barbosa Lessa expressa em seu livro Nativismo, o processo de criação e
solidificação dos valores gaúchos, nos CTG’s, através da luta de um grupo de
estudantes (ele era um deles) da escola Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.
Ele, e o grupo, embasam a necessidade de criação deste “grupo local”, o CTG,
como um local de encontro de pessoas para conversar (charlar), tomar mate,
dançar, enfim difundir o que vai na “alma” deste sujeito que está “individual
na multidão”.
Os CTG’s para Barbosa Lessa, Paixão Cortes e seu grupo seria semelhante
ao antigo galpão da estância, onde todos se reuniam ao redor do fogo de chão,
conversando, tomando mate, ....
Para sedimentar os CTG’s e o MTG Barbosa Lessa busca nas raízes do RS,
desde os guaranis até nossos dias, quais os valores, as tradições, o modo de
vida do gaúcho.
GOLIN, Tau. A
Ideologia do Gauchismo.Tchê Editora.
Em seu livro, A Ideologia do Gauchismo, Tau Golin tenta desmistificar o
“gauchismo”, no campo dos Movimentos Tradicionalistas, enquanto formas míticas
de movimentação das “massas” ( do povo). Busca ele trazer as pessoas a uma
vivência “social” do “gauchismo”, de consciência coletiva, mais racional
(parece-me), buscando sair de um modelo pequeno-burguês, para uma vivência de
classes sociais, mais abrangente, marxista.
Segundo Golin, a transferência do “gauchismo” do campo para as cidades,
deve justificar uma ruptura com os modelos elitistas e a transformação do
cenário do movimento deve buscar uma cultura mais popular, mais atenta às
necessidades do povo, em sua maioria, não apenas às classes mais abastadas. Ele
critica abertamente o tradicionalismo, como tendo nascido na elite, com
ideologia positivista, parcial portanto. Coloca que o movimento serviu
aos interesses políticos de manter a “ordem” em função do movimentos de
imigração que ocorriam na época e da tentativa de seguir os programas políticos
de modernização do Estado.
Através de uma visão e vivência marxista, socialista portanto, Tau Golin
critica o modelo tradicionalista e o situa a favor e servindo aos interesses
capitalistas do Estado, das elites então. O tradicionalismo serve aos
interesses do poder dominante. Golin coloca o “Estado e o tradicionalismo na mesma trincheira”.
A partir da visão elitista do MTG, Tau Golin desmistifica e desconstrói
seus modelos, a indumentária, seus princípios, a arte ligada ao MTG e as
identifica a “mentiras” históricas do RS. O MTG não reflete a realidade
riograndense, ou o seu povo, mas a “mentira”, a invenção de suas elites.
OLIVEN, Ruben George. A
Parte e o Todo.Vozes Editora.
Oliven, mais do que sedimentar uma tradição ou contradizê-la, busca,
antropologicamente, situar o Estado do RS no contexto brasileiro, seu povo, que
povo é esse, na tentativa de identificar suas características, suas
singularidades no contexto da nação brasileira. Busca faze-lo sem ideologismos,
nem tendências, de forma a chegar a respostas que estejam isentas de um lado ou
de outro.
Nesta busca da identidade gaúcha ele parte da conceitualização de nação e
vincula a uma “memória coletiva”. A memória coletiva é particular,
enquanto a memória nacional é universal. Logo, o nacional seria um
discurso de segunda ordem.
Havia a crença de que através do nacionalismo se chegaria ao universal,
Freyre propõe que a única forma de ser nacional é antes ser regional.
Oliven coloca as características específicas de nosso Estado: fronteira,
clima, passado de guerras. Fala do povo que habita e que iniciou este Estado,
suas especificidades.
Os movimentos tradicionalistas, suas bases, bem como o movimento
nativista, as diferenças entre os dois, a construção da identidade cultural do
gaúcho.
Oliven então chega a um ponto em que propõe que busquemos nossa
identidade, valorizada nas diferenças culturais e na aceitação do outro.
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