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terça-feira, 28 de abril de 2020

TRADICIONALISMO X NATIVISMO


VERA MARTA REOLON 
SETEMBRO DE 2003

 LESSA, Barbosa. NATIVISMO – Um Fenômeno Social Gaúcho. LPM.

Barbosa Lessa expressa em seu livro Nativismo, o processo de criação e solidificação dos valores gaúchos, nos CTG’s, através da luta de um grupo de estudantes (ele era um deles) da escola Júlio de Castilhos, em Porto Alegre. Ele, e o grupo, embasam a necessidade de criação deste “grupo local”, o CTG, como um local de encontro de pessoas para conversar (charlar), tomar mate, dançar, enfim difundir o que vai na “alma” deste sujeito que está “individual na multidão”.
Os CTG’s para Barbosa Lessa, Paixão Cortes e seu grupo seria semelhante ao antigo galpão da estância, onde todos se reuniam ao redor do fogo de chão, conversando, tomando mate, ....
Para sedimentar os CTG’s e o MTG Barbosa Lessa busca nas raízes do RS, desde os guaranis até nossos dias, quais os valores, as tradições, o modo de vida do gaúcho.


GOLIN, Tau. A Ideologia do Gauchismo.Tchê Editora.

Em seu livro, A Ideologia do Gauchismo, Tau Golin tenta desmistificar o “gauchismo”, no campo dos Movimentos Tradicionalistas, enquanto formas míticas de movimentação das “massas” ( do povo). Busca ele trazer as pessoas a uma vivência “social” do “gauchismo”, de consciência coletiva, mais racional (parece-me), buscando sair de um modelo pequeno-burguês, para uma vivência de classes sociais, mais abrangente, marxista.
Segundo Golin, a transferência do “gauchismo” do campo para as cidades, deve justificar uma ruptura com os modelos elitistas e a transformação do cenário do movimento deve buscar uma cultura mais popular, mais atenta às necessidades do povo, em sua maioria, não apenas às classes mais abastadas. Ele critica abertamente o tradicionalismo, como tendo nascido na elite, com ideologia positivista, parcial portanto. Coloca que o movimento serviu aos interesses políticos de manter a “ordem” em função do movimentos de imigração que ocorriam na época e da tentativa de seguir os programas políticos de modernização do Estado.
Através de uma visão e vivência marxista, socialista portanto, Tau Golin critica o modelo tradicionalista e o situa a favor e servindo aos interesses capitalistas do Estado, das elites então. O tradicionalismo serve aos interesses do poder dominante. Golin coloca o “Estado e o  tradicionalismo na mesma trincheira”.
A partir da visão elitista do MTG, Tau Golin desmistifica e desconstrói seus modelos, a indumentária, seus princípios, a arte ligada ao MTG e as identifica a “mentiras” históricas do RS. O MTG não reflete a realidade riograndense, ou o seu povo, mas a “mentira”, a invenção de suas elites.


OLIVEN, Ruben George. A Parte e o Todo.Vozes Editora.

Oliven, mais do que sedimentar uma tradição ou contradizê-la, busca, antropologicamente, situar o Estado do RS no contexto brasileiro, seu povo, que povo é esse, na tentativa de identificar suas características, suas singularidades no contexto da nação brasileira. Busca faze-lo sem ideologismos, nem tendências, de forma a chegar a respostas que estejam isentas de um lado ou de outro.
Nesta busca da identidade gaúcha ele parte da conceitualização de nação e vincula a uma “memória coletiva”. A memória coletiva é particular, enquanto a memória nacional é universal. Logo, o nacional seria um discurso de segunda ordem.
Havia a crença de que através do nacionalismo se chegaria ao universal, Freyre propõe que a única forma de ser nacional é antes ser regional.
Oliven coloca as características específicas de nosso Estado: fronteira, clima, passado de guerras. Fala do povo que habita e que iniciou este Estado, suas especificidades.         
Os movimentos tradicionalistas, suas bases, bem como o movimento nativista, as diferenças entre os dois, a construção da identidade cultural do gaúcho.
Oliven então chega a um ponto em que propõe que busquemos nossa identidade, valorizada nas diferenças culturais e na aceitação do outro.     

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