Por Vera Marta Reolon
& Guilherme Reolon de Oliveira
IMPRESSIONISMO
Impressionismo foi um movimento que
surgiu na pintura francesa do século XIX. Vivia-se, neste
momento, a chamada Belle Époque, ou Bela Época, em português. O nome
do movimento é derivado da obra "Impressão: nascer do sol" (1872),
de Claude Monet.
O
Impressionismo começou com um grupo de jovens pintores, que rompeu com as
regras da pintura vigentes até então. Os autores impressionistas não mais se
preocupavam com os preceitos acadêmicos ou do Realismo. A busca pelos
elementos fundamentais de cada arte levou os pintores impressionistas à
produção pictórica não mais interessados em temáticas nobres ou no retrato fiel
da realidade: passam a entender o quadro como obra em si mesma. A luz e
o movimento, utilizando pinceladas soltas, tornam-se os principais
elementos da pintura. Geralmente, as telas passam a ser pintadas ao ar livre,
para que o pintor possa capturar melhor as variações de cores da natureza.
Características
1. a pintura deve mostrar os
pontos que os objetos adquirem ao refletir a luz num determinado momento, pois
as cores da natureza mudam todo dia, dependendo da incidência da luz do sol;
2. é também, com isto, uma
pintura instantânea (captação do momento), assemelhando-se à fotografia;
3. as figuras não devem ter
contornos nítidos, pois o desenho deixa de ser o principal meio estrutural do
quadro, passando a ser a mancha/cor;
4. as
sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos
causam. O preto jamais é usado em uma obra impressionista plena;
5. os
contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores
complementares. Assim, um amarelo próximo a um violeta produz um efeito mais
real do que um claro-escuro muito utilizado pelos acadêmicos no passado. Essa
orientação viria dar mais tarde origem ao ‘pontilhismo’;
6. as
cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura de pigmentos. Ao
contrário, devem ser puras e dissociadas no quadro em pequenas pinceladas. É o
observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o
resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se tornar
óptica;
7. preferência
pelos pintores em representar uma natureza morta a um objeto;
8. valorização
de decomposição das cores.
Entre os
principais expoentes do Impressionismo estão Claude Monet, Edouard
Manet, Edgar Degas, Auguste Renoir,Alfred Sisley e Camille
Pissarro.
Podemos dizer ainda que Claude Monet foi um dos
maiores artistas da pintura impressionista da época. Claude Monet (1840-1926)
foi incessante pesquisador da luz e seus efeitos, pintou vários motivos em
diversas horas do dia e em várias épocas do ano, a fim de estudar as mutações
coloridas do ambiente com sua luminosidade. Monet teve catarata no fim da sua
vida. A doença o atacou por causa das muitas horas com seus olhos expostos ao
sol. Durante sua doença Monet não parou de pintar, usou nessa época de sua vida
cores mais fortes como o vermelho-carne e vermelho goiaba, cor tijolo, entre
outros, verdes, rosas, vermelhos e cores mais fortes. Em 1911, com o
falecimento de Alice, sua esposa, e seu problema de visão, Monet perdeu a
vontade de viver e pintar..
Os efeitos
ópticos descobertos pela pesquisa fotográfica, sobre a composição de cores e a
formação de imagens na retina do observador, influenciaram profundamente as
técnicas de pintura dos impressionistas.
Eles não mais
misturavam as tintas na tela, a fim de obter diferentes cores, mas utilizavam
pinceladas de cores puras que, colocadas uma ao lado da outra, são misturadas
pelos olhos do observador, durante o processo de formação da imagem.
Origens
Édouard
Manet não se considerava um impressionista, mas foi em torno dele que se
reuniu grande parte dos artistas que viriam a ser chamados de Impressionistas.
O Impressionismo possui a característica de quebrar os laços com o passado e
diversas obras de Manet são inspiradas na tradição. Suas obras, no entanto,
serviram de inspiração para os novos pintores.
O termo
Impressionismo surgiu devido a uma crítica feita ao quadro Claude Monet
(1840-1926), Impressão - Nascer do Sol, pelo pintor e escritor Louis
Leroy:
"Impressão,
Nascer do Sol -eu bem o sabia! Pensava eu, se estou impressionado é porque lá
há uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede
é mais elaborado que esta cena marinha".
A expressão
foi usada originalmente de forma pejorativa, mas Monet e seus colegas adotaram
o título, sabendo da revolução que estavam iniciando.
Impressionismo no Brasil
No início
do século XX, Eliseu Visconti foi sem dúvida o artista que
melhor representou os postulados impressionistas no Brasil. Sobre o
impressionismo de Visconti, diz Flávio de Aquino: "Visconti é, para nós, o
precursor da arte dos nossos dias, o nosso mais legítimo representante de uma
das mais importantes etapas da pintura contemporânea: o impressionismo.
Trouxe-o da França ainda quente das discussões, vivo; transformou-o, ante o
motivo brasileiro, perante a cor e a atmosfera luminosa do nosso País".
Principais
pintores impressionistas brasileiros: Eliseu Visconti, Almeida
Júnior, Timótheo da Costa, Henrique Cavaleiro, Vicente do Rego
Monteiro e Alfredo Andersen.
Escultura
Assim como a
pintura, a escultura trouxe uma grande inovação na sua linguagem. Os três
conceitos básicos dessa inovação foram: a fusão da luz e das sombras; a ambição
de obter estátuas visíveis a partir do maior número possível de ângulos; obra
inacabada, como exemplo ideal do processo criativo do artista.
Os temas da
escultura impressionista, como na pintura, surgiram do ambiente cotidiano e da
literatura clássica em voga na época.
SURREALISMO
O surrealismo foi
um movimento artístico e literário, nascido em Paris na
década de 1920, inserido no contexto das vanguardas que viriam a
definir o modernismo no período entre as duas Grandes Guerras
Mundiais. Reúne artistas anteriormente ligados ao dadaísmo, ganhando
dimensão mundial. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas
de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel do
inconsciente na atividade criativa. Um dos seus objetivos foi produzir uma arte
que, segundo o movimento, estava sendo destruída pelo racionalismo. O poeta e
crítico André Breton (1896-1966) era o principal líder e mentor deste
movimento.
A palavra
Surrealismo supõe-se ter sido criada em 1917 pelo
poeta Guillaume Apollinaire (1886-1918), jovem artista ligado
ao cubismo, e autor da peça teatral As Mamas de Tirésias (1917),
considerada uma precursora do movimento.
Um dos principais manifestos do
movimento é o Manifesto Surrealista, de 1924. Além de Breton, seus
representantes mais conhecidos são Antonin Artaud no
teatro, Luis Buñuel no cinema, e Max Ernst, René
Magritte e Salvador Dalí no campo das artes plásticas.
Visão surrealista
As
características deste estilo: uma combinação do representativo, do abstrato, do
irreal e do inconsciente. Entre muitas das suas metodologias estão a colagem e
a escrita automática. Segundo os surrealistas, a arte deve libertar-se das
exigências da lógica e da razão e ir além
da consciência cotidiana, procurando expressar o mundo do
inconsciente e dos sonhos.
Mais do que um
movimento estético, o surrealismo é uma maneira de enxergar o mundo, uma
vanguarda artística que transcende a arte. Busca restaurar os poderes da
imaginação, castrados pelos limites do utilitarismo da sociedade burguesa, e
superar a contradição entre objetividade e subjetividade. Breton declara no
Primeiro Manifesto sua crença na possibilidade de reduzir dois estados
aparentemente tão contraditórios, sonho e realidade, “a uma
espécie de realidade absoluta, de sobre-realidade (surrealité)”.
O filme Um
Cão Andaluz, de Luis Buñuel, por exemplo, é formado por partes de um sonho de
Salvador Dalí e outra parte do próprio diretor, sem necessariamente
objetivar-se uma lógica consciente e de entendimento, mas um discurso
inconsciente que procura dialogar com outras leituras da realidade.
Trajetória
Em 1929, os
surrealistas publicam um segundo manifesto e editam a revista A Revolução
Surrealista. Entre os artistas ligados ao grupo em épocas variadas estão os
escritores franceses, Antonin Artaud (1896-1948), também
dramaturgo, Paul Éluard (1895-1952), Louis
Aragon (1897-1982), Jacques Prévert (1900-1977) e Benjamin
Péret (1899-1959,) que viveu no Brasil, o escultor
italiano Alberto Giacometti (1901-1960), o pintor italiano Vito
Campanella (1932), assim como os pintores espanhóis Salvador
Dali (1904-1989) e Juan Miró (1893-1983), o pintor
belga René Magritte (1898-1967), o pintor alemão Max
Ernst (1891-1976) e o cineasta espanhol Luis Buñuel (1900-1983).
Nos anos
30, o movimento internacionaliza-se e influencia muitas outras tendências,
conquistando adeptos em países da Europa e nas Américas, tendo Breton
assinado um manifesto com Leon Trotski na tentativa de criar um
movimento internacional que lutava pela total liberdade na arte - FIARI:
o Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente.
No Brasil, o
surrealismo é uma das muitas influências assimiladas pelo modernismo.
Os artistas
desse movimento se diferenciavam quanto ao estilo adotado. Enquanto as formas e
linhas de Masson provinham de pincelados livres, Magrite e Dalí tinham imagens
realistas criando cenas oníricas.
A obra “A
persistência da memória” de Salvador Dalí é uma das mais representativas desse
movimento. Os três relógios derretidos juntamente a uma espécie de auto-retrato
do artista representam o Surrealismo de Dalí diante da irrelevância da passagem
do tempo que dizia não perceber e que não tinha nenhum significado para ele.
Não há uma
data que determine o fim do Surrealismo, pois este influencia, até o presente,
artistas de todo mundo. No Brasil, é possível encontrar características do
Surrealismo nas obras de Tarsila do Amaral e Ismael Nery.
Referências
LITTLE, Stephen. ...ismos: para entender a
arte. São Paulo: Globo, 2011.
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